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sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

O ÚLTIMO OLHAR


O ÚLTIMO OLHAR


Não há como esquecer,
O teu último olhar.
Foi como o último raio do Sol,
Em minha alma a se apagar.

O que me disse aquele último olhar...
Sabia que era adeus,
Teus lábios prometeram-me um volto logo,
Mas os olhos prometiam despedida.

E o meu coração guardou a dor,
E a memória gravou na alma,
Aquele último momento de amor.
Ficou apenas em meus olhos o teu olhar.

Aquele último olhar,
O crepúsculo de saudades,
O último canto do bem-te-vi.
E entre mim e ti, agora,

Um intransponível oceano de saudades.

sábado, 7 de fevereiro de 2015

BALÉ DO AMOR



BALÉ DO AMOR

Vólia Loureiro do Amaral Lima


Vejo pipas coloridas,
Que voam descontraídas,
Brincando no céu azul.
Adiante, nuvens brancas,
Quais mansos carneiros,
Deslizam no macio azul,
E têm para si, o dia inteiro.


Eu também voo com elas,
E meu pensamento desliza,
Acompanha a mansa brisa,
Da tarde quente e morosa.
A doçura do instante,
Traz uma preguiça gostosa.

As pipas dançam pelo céu,
O seu balé ritmado,
Meu coração pensa em ti,
E bate descompassado.
No céu, o Sol se despede,
Fala de um sonho terminado.

Queria fôssemos as alegres pipas,
E, juntos, pudéssemos bailar,
Voando no céu dos desejos,
E entre sonhos e beijos
Um pleno amor realizar.

Mas, cai a noite,
E o sonho se esconde,
Por trás do manto de estrelas,
As pipas fogem no céu negro,
E voltam aos abrigos dos medos.

Só resta espera o amanhã,
E deixar nova brisa soprar,
Talvez, as coloridas pipas voltem,
E, voltando das estrelas,
Eu possa voltar a sonhar.


20/01/2015

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

NAS DOBRAS DO TEMPO




Conto os pedaços do tempo,
Nas contas de um rosário,
Nos relógios que me falam
Num tiquetaquear arrastado,
De uma saudade longínqua,
Que se perdeu no passado.

Olho as areias da ampulheta,
Que escorrem por um vidro baço,
E o tempo se divide em grãos,
Arrastando-se em longas horas,
Que maltratam o coração.

Às vezes corre tão depressa,
Quando desejo que pare,
Nos doces momentos de enlevo,
Nos instantes de puro sonho,
Penso que o tempo zomba do poeta,
E gosta de sempre vê-lo tristonho.

Ah, tempo! Tempo...
Se pudesse eu te dominar,
Se pudesse encontrar a tua chave,
E te apressar ou estacionar...

Haveria noites mais longas,
Nos dias de poesia,
Ou passariam em um segundo,
Os momentos de agonia.

Ah, tempo! Tempo...
Se pudesse te aprisionar,
Senhora de ti
Eu seria,
E a saudade não existiria.

As noites de solidão,
Teriam duração do segundo,
E os momentos de amor,
Contaríamos em evos,
Como na criação do Mundo.

Ah, tempo! Tempo...
Pudesse eu te dominar,
As distâncias encurtariam,
Teríamos longas primaveras,
A mocidade se prolongaria,
Até perto da eternidade.

Ah, tempo! Tempo...
Pudesse eu contigo conversar,
Rogaria ao teu coração baixinho:
- Amigo tempo,
Quando o meu amor estiver comigo,
Descansa um pouco.
Dorme ao som da poesia,
E passa mais devagarinho.


Vólia Loureiro do Amaral Lima

( Todos os direitos reservados)

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

FÊNIX



FÊNIX

Vólia Loureiro do Amaral Lima

Joguei meu pranto no vento,
E as lágrimas voaram,
Libélulas coloridas,
Voejando em torno de mim.

Abri minhas janelas,
E deixei que o silêncio ocupasse,
Cada espaço que era teu.
E o vazio preencheu a tua ausência.

Corri ao Sol,
E rasguei a alma,
Expus por inteiro,
As dores e as chagas.

E de mim escorria,
Um pranto sangrento,
Havia o som de um sentido lamento,
Ou era apenas o vento?

Matei, assim,
O teu amor em mim,
Esfacelei-me até o fim,
Num autocídio de alma.

E quando o Sol voltou a surgir,
Ergui-me sem cansaço,
Juntei os meus pedaços,
E voltei a cuidar de mim.


 12/11/2014          

terça-feira, 28 de outubro de 2014

MORTE


MORTE
Vólia Loureiro do Amaral Lima


As folhas de outono caem,
Belezas amarelas,
Que voam singelas,
Levadas pelo vento.
E pelos céus se vão,
Quais pássaros em seus
Voos de verão.


Diante da efemeridade da vida,
Quedo-me em silêncio,
Pensativa.
Chegará o dia em que cairemos,
E o vento da morte velará
Os nossos olhos,
Para que assim partamos
Em aventura insólita.


E o que fica?
O que restará de nós?
Que lembranças despertaremos,
Naqueles com quem convivemos?
Lembranças são como perfumes,
Há os bons e os maus.


Não há como evitar a análise,
Do que se foi,
Do que se fez,
De quem se amou,
Ou desamou...


Será que valeu a pena?
Será que a lição foi aprendida?
Será que aproveitamos a vida?
Ou apenas passamos por ela
Sem compreender a beleza dessa lida?

Morrer é só uma parte da viagem,
Sei disso.
Morrer é voltar para casa.
E o que trazemos na bagagem?


Quando chegar minha vez,
Quero seguir com leveza,
Levando algumas coisas na mala,
Meus tesouros, minhas certezas.

Levarei em meus olhos,
O reflexo do mais belo luar,
Para que minha alma se
Adorne com a beleza calma
Da noite enluarada.


Levarei em meus ouvidos,
As risadas alegres,
Dos bons momentos vividos,
Para que minha alma se ilumine,
E brilhe como pequena estrela
No Universo infinito.


Levarei em meus lábios o silêncio,
Que será como uma canção,
Pois nele estarão guardados,
Mil poemas de amor,
E uma doce oração.

Levarei em meus braços,
Todos os abraços.
Abraços que dei,
Os que deveria ter dado,
Os levarei como se fossem rosas,
Para plantar em jardim perfumado.

Levarei em meu coração,
Todo amor que pude dar,
Amores que me fizeram rir,
Amores que me fizeram sangrar,
Amores que me fizeram sonhar,
Esse sim será o bem mais precioso
Que eu vou querer levar.

Quero partir com a certeza,
Que tudo valeu a pena,
Que fiz a coisa certa,
Que vivi uma vida plena,
Que me entreguei por completo.
Que não fui mera coadjuvante,
Mas vivi, intensamente,
No palco da existência,
Todas as minhas cenas.


27/10/2014

quinta-feira, 16 de outubro de 2014

ESPECIAL E INESQUECÍVEL



Especial e Inesquecível

Vólia Loureiro do Amaral



Faz tempo menina,
Que quero te ensinar
O sentido da palavra
“especial”.

Você pode pensar
Em algo incomum,
Alguma coisa sensacional,
Mas eu vou te ensinar
O que é especial.

Você espera algo que choque,
Que abale os sentidos,
Que seja irresistível,
Oh não! Você tem de entender
O que significa ser especial.

Especial é quando toca o coração,
É quando faz nascer a ternura,
É quando sentimos o coração
Tranqüilo por uma simples
Lembrança.

Especial é quando sorrimos
Ao lembrar,
É quando ouvimos música
Ao pensar.
É quando a saudade faz você chorar.

Especial é quando é doce,
É como um belo por de sol.
É como um bom café, numa noite fria,
É como observar uma rosa molhada
Do orvalho da manhã.

Especial é quando queremos que
O tempo pare para que dure um
Pouco mais.
É como ver o mesmo filme
Mil vezes e ainda
Chorar de emoção.

Especial é aquilo
Que ficará pra sempre
Guardado num cantinho
Do coração.

 (Todos os direitos reservados)

terça-feira, 23 de setembro de 2014

AOS QUE AINDA SONHAM


AOS QUE AINDA SONHAM

Vólia Loureiro do Amaral Lima

Dirijo-me aos que ainda sonham...
Aos que ainda têm coragem de amar.
Dirijo-me aos que não se envergonham
Da lágrima.

É preciso sonhar, para plantar rosas
Na selva de concreto armado.
É preciso que existam menestréis,
Para saudar a Lua no cinzento céu
Da indiferença.

É preciso enfeitar o mundo:
De flores, de versos, de sonhos.
Para que o amor possa renascer
A cada manhã,
E uma brisa de esperança

Suavize os corações.

ACOLHE-ME



ACOLHE-ME

Vólia Loureiro do Amaral Lima


Faz tempo que voo,
Em uma jornada longa e cansada,
E só encontrei terras áridas,
Que não souberam compreender
A minha poesia.

Até que encontrei uma árvore frondosa,
De bela copa, raízes fortes,
Feliz pensei em lá construir meu ninho,
Que abrigaria a minha poesia.

E por um tempo eu cantei,
E a poesia nascia feliz nas madrugadas
Vibrantes de alegria.
Belos tempos, belos dias.

Porém, o vento teve ciúme de tanta poesia,
E soprou forte, e tenta me tirar o abrigo,
Tenta me fazer perder o norte.

Só tu, árvore amiga,
És capaz de me salvar,
Acolhe-me em teu regaço,
E não me permitas derivar.

Sem a firmeza, dos teus galhos,
Sem a proteção da tua sombra amiga,
Serei mais uma ave perdida,
Que voa, de verão a verão.
Como ave de arribação.


(Todos os direitos reservados)

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

TUA VOZ...TODOS OS TONS

TUA VOZ...TODOS OS TONS...

Posso
Vestir-te em todas as cores
Agora
Que já conheço tua voz...
Mesclar-te de primavera
Em versos suaves...
Cobrir-te
Com as nuanças sedutoras do verão
Únicas...
Enquanto fazes rimas apaixonantes...
Sombrear-te de outono
Arrastando essências...
...De castanhas
Sândalo
Canela..(talvez!)...
Ouvindo-te em estrofes ternas..
Curvar-te
Em tons solenes de inverno
Em traços fortes
Enquanto modelas a poesia inteira!...
Posso
Escolher qualquer tonalidade
Agora
Que simplesmente gravo-te
Em sons...
E tons...

Maria Luíza Faria 12/09/2014


Direitos preservados...

terça-feira, 26 de agosto de 2014

VOU EMBORA PARA DENTRO DE MIM


VOU EMBORA PARA DENTRO DE MIM
Vólia Loureiro do Amaral Lima

Vou embora para dentro de mim,
Não me procurem,
Pois não sei meu endereço.
Quero apenas o meu mundo,
Esse outro, por enquanto, esqueço.

Vou embora para dentro de mim,
Já fiz a mala, fechei a porta,
Não deixo saudades,
Não guardo lembranças.
Apenas me encontrar é o que importa.

Vou embora para dentro de mim,
Porque meu mundo é mais belo,
Já tranquei a porta,
Já perdi a chave.
Talvez, um dia eu volte.

Mas, por agora,
Não me procure,
Não pergunte por mim,
Não tenho mais rosas no jardim,
Apenas, quero fugir,

Para dentro de mim.

ABRIGO


ABRIGO

Vólia Loureiro do Amaral Lima

Queria, hoje, o teu abraço.
Que ele fosse o meu abrigo,
O meu ninho, todo meu espaço.

Queria, hoje, o teu olhar.
Que a sua luz fosse o meu Sol.
A minha bússola, o meu farol.

Queria, hoje, os teus ouvidos.
Que eles pudessem guardar meu canto,
E os versos que apenas dizem: Amo-te tanto!

Queria, hoje, a tua voz.
Que ela estivesse, branda, macia.
E me cantasse uma canção de ninar.

E, assim, eu adormeceria,
Aninhada em teus braços,
Sob a luz do teu olhar,
Vazia dos meus medos.
E, feliz, eu poderia voltar
A sonhar.


26/08/2014

AS BATALHAS DE CADA DIA


AS BATALHAS DE CADA DIA
Vólia Loureiro do Amaral Lima

Sofro a dor de cada dia,
Mas a ela recuso-me sucumbir,
Antes, luto.
Soldado das guerras individuais,
Sou chamada a batalha de cada dia.

Às vezes fico em meio ao fogo cruzado,
De incompreensões, desamores e ingratidões.
E surge a tentação de vestir a indumentária do
Orgulho.
E portando as armas da vaidade,
 Ferir a quem me fere.

Mas a primeira batalha é contra mim mesma,
E prefiro a nudez da humildade,
E empunhando a flor do perdão,
Quero compreender e aceitar
O meu irmão.

Quando a dor me fere tanto,
A ponto de meus joelhos dobrar,
Espero que a revolta,
Não venha a me atormentar.

Antes, caída de joelhos,
Eu lembre,
Que essa é a posição da oração,
E assim eu rogue a Deus,
Que me auxilie no perdão.

Na batalha de cada dia,
Que minha arma seja o amor,
Que eu sempre empunhe a flor,
E que dos meus lábios,
Sempre soem,
Os versos que falem da beleza do perdão.


sexta-feira, 22 de agosto de 2014

BEM AQUI...

BEM AQUI...
Vem suave...
Mas não vem de qualquer lugar...
De onde vem esse sopro de ternura,
Ternura digna, Que faz um mar brotar no peito...?
Traz a perfeição das faces bem guardadas
Não vem em segredo, Apenas silenciosamente...
Discreta, Quase a pedir licença Mas vem...
Sussurra uma desculpa
E deposita um beijo quase angustioso,
 Bebe o sentimento morno do coração
Vem e fica...
E dança sinfonias de tristezas...
Enleva a alma Aquece,
Dispersa em voos lânguidos
O desejo e a lágrima...
Mas sempre vem...
Quando a ausência é tortura
Quando um momento,
Ou um rosto,
São constantes ou perdidos...
Vem suave,
Nua e terna,
A saudade...

ML


quinta-feira, 21 de agosto de 2014

PARA SEMPRE...

PARA SEMPRE
É assim que eu recordo:
O rosto sereno,
A pele suave
Sem vaidades e artifícios,
Espelho e presença ...
A voz tranquila
Sem atropelos
Nos conselhos silenciosos
Sem contornos
Entendidos num olhar...
Olhos que abarcavam o mundo
Os caminhos,
O interior,
Sem atalhos,
Descansados em ternura...
Sorriso que abraçava
Sem reservas, sem exigências
Sem pedidos nem urgências,
Abraços de cura
Doação inteira...
Assim, quero sempre recordar:
Sentindo o colo
E o consolo constante...
As batidas de um coração
Que dentro do meu
Nunca parou,
Como o som de mil orações
Eternamente repetindo
É seu, para sempre,
O meu amor!...
M.L

terça-feira, 19 de agosto de 2014

SOPRO

SOPRO Ventos e essências Sensibilidade extravasada... Olhar desconhecido As almas leves, Tão iguais... O desejo e o descuido, O risco... Essências não se dissipam Invadem... A noite não é mais finita... Ventos e sussurros Ventos e segredos... O proibido Sem lugar E sem tempo...

Maria Luíza Farias 19/08/2014

Direitos preservados.

PROFUNDEZAS



PROFUNDEZAS

Vólia Loureiro do Amaral Lima

Quem dera poder dar-me a conhecer...
Lago de águas profundas eu sou.
A luta da ambiguidade,
Entre o santo e o profano,
Entre a sombra e a Luz.

Quem dera poder conhecer
Todos os caminhos por onde
Anda meu coração.
Sou caminheiro constante,
Que me perco nas noites estreladas,
Que me encanto com a doçura de um olhar.

Quem dera saber de mim!
Talvez fosse mais fácil,
Mostrar- te meus caminhos,
Meus códigos,
Meus segredos...
Mas até para mim sou mistério.

Não tenho como te ensinar a me decifrar.
Esfinge de sonhos.
Mas não temas, não te devorarei.
Permaneço assim, indecifrável.
Encantada, ignota.

Esse é o meu mistério,
Um lago profundo,
Um par de olhos que miram o céu,
Perscrutando as estrelas,
Uma mente que sonha,
E uma alma fugidia,
Que ama, mas que vive a voar pelas madrugadas,

Esperando pela poesia.

sexta-feira, 15 de agosto de 2014

Rosa Negra


ROSA NEGRA

Vólia Loureiro do Amaral Lima

Ah! Rosa Negra!
Por que foges de mim?
Por que te escondes assim
Dos meus raios de Sol?

Temes, por acaso,
Que eu te creste as pétalas?
Mas eu posso ser para ti arrebol.
Ou quem sabe uma mansa alvorada?

Antes, procuravas me enfeitiçar,
Promessas de amor,
Lindos sonhos,
Madrugadas felizes.

E o meu verso,
Era para ti orvalho.
Julguei que olharias para mim,
Sempre com olhos de Primavera.

Mas, o inverno tomou conta de ti,
E o teu coração se enregelou,
E do doce sentimento, nada sobrou.
Apenas os espinhos é o que me ofertas.

E eu já nem sei como em ti chegar,
São tantos espinhos,
Que o meu carinho vai ficando ferido
Pelo caminho.

Ah! Rosa negra,
Se soubesses o amor que para ti tenho guardado!
Se soubesses da poesia,
Se soubesses da alegria!

Mas o teu coração deseja me esquecer...
E eu já nem me pergunto mais por quê.
Já depus as armas,
Já me imolei nessa batalha inglória.

Agora só espero que a noite caia sobre mim,
E que algum vento me leve para distante,
Porque voltei a ser um coração errante,
Que um dia se encantou por uma Rosa negra.

15/08/2014


terça-feira, 5 de agosto de 2014


VERSOS NOTURNOS

Vólia Loureiro do Amaral Lima

Vago à noite,
Por entre sonhos
E segredos.
Em passeios noturnos,
De pura fantasia.

Guardo os meus medos,
Na arca dos segredos,
Onde reservo histórias
E secretos enredos.

Tenho esse lado noturno,
Que, por vezes, deixa-me assim.
Soturna a ponto de perder
A magia.

Nessas horas,
A lua é minha companhia,
A ausência da tua voz,
À minha também silencia.

E para que o canto,
Não se transforme em lamento,
Jogo-me assim,
Ao sabor dos ventos,
Até que a saudade se transforme
Em versos.

E os versos noturnos,
Voam quais cometas,
Pequenos vagalumes
Que me guiam de volta,
À minha gaiola de realidade.


04/08/2014

domingo, 3 de agosto de 2014



VIDA QUE SEGUE

Vólia Loureiro do  Amaral Lima


Já não dói.
É, antes, apenas uma sombra no olhar,
Que, de repente, perpassa,
E depois vai embora,
Como a chuva passageira.

Já não é mais saudade,
É, antes, apenas uma mania de lembrar,
Como quem, às vezes, deita olhar,
Em alguma foto antiga,
 Amarelada pelo tempo.

Ficaram algumas lembranças,
Alguns ecos de palavras,
De Canções,
Imagens distorcidas,
Pedaços de alguma coisa, ou de nada.

E a vida segue o seu caminho,
Um dia se segue após o outro,
O inverno é sucedido pelo verão.
As águas do rio passam
E não mais voltam mais.

E a gente amanhece e se recria,
Com as flores que nascem,
Depois que a chuva lava tudo,
E a gente cresce e caminha,
Nos risos e lágrimas de cada dia.

24/02/14