quarta-feira, 29 de outubro de 2014

QUEM CONTA UM CONTO...CONTA A CINCO MÃOS - METAMORFOSE


METAMORFOSE


Metamorfose, uma transformação dolorosa, mas, necessária. O ciclo de vida das borboletas é dividido em várias fases: do acasalamento, passando pelo ovo que é colocado pela borboleta fêmea, desse ovo nasce a lagarta, que rasteja para conhecer o mundo e envolve-se no casulo, lutando para sair. Com suas asas ainda enrugadas não lhe permitindo o voo imediato, nessa transformação tão dolorosa e difícil. Mas, de repente, ela sai voando, aprende a bater as suas asas e estas a conduzirão para o alto, de onde poderá vislumbrar as mais belas coisas desse mundo e viver uma nova vida.

Em nossa vida também passamos por muitas fases, transformações profundas também acontecem: ao ser fecundado o ovócito, a vida começa no ventre materno, à mulher foi destinado o poder de gerar outros seres humanos, contribuindo para o crescimento da espécie. São nove meses de grandes mudanças e evolução, até o tão aguardado momento do nascimento. Assim como o casulo, o útero feminino a matriz transformadora da vida. Rompendo o casulo, nascemos e ao nascer, somos dependentes de cuidados constantes dos nossos pais, aprendemos a falar, a andar, a comer sozinhos, o nosso corpo sofre incríveis modificações, desde o momento da fecundação, até a sua morte. Ver uma criança descobrir o mundo, dar na vida seus primeiros passos, é divinizar este momento de transformação que acontece na vida, que nos foi dada com tanto amor. A metamorfose nos acompanha na infância, na adolescência, na idade adulta, na velhice e depois dela, com a morte, temos a libertação da nossa alma do casulo do corpo e esta voa pelos infinitos espaços.
                                                                                                                                               
Mudanças como a metamorfose, transformação e libertação, acontecem conosco no decorrer da vida. Esta nos pede movimento, e isso significa transformação. A cada instante, estamos aprendendo coisas novas, passando por novas experiências, vivenciando diferentes emoções.
Não somos a mesma pessoa que éramos há dez, vinte anos atrás. E a mudança não ocorre apenas a nível físico, mas em todos os sentidos. Passamos por situações que nos proporcionam aprendizado, e estamos sempre em busca de caminhos melhores.

Às vezes tomamos caminhos equivocados e fazemos o caminho inverso ao da borboleta, quando, nos escravizamos às paixões, aos vícios, quando deixamos de ser nós mesmos, renunciando à nossa personalidade, para nos adequar aos desejos de alguém dominador, em uma espécie de paixão obsessiva, aí deixamos de ser uma linda borboleta para nos transformar em lagarta rastejante. Mas, nada é eterno, e, um dia , essa situação passa, precisamos do casulo do sofrimento, da dor, para nos transformar. Vamos aprendendo com o tempo, a nos proteger, a criar uma película que nos resguarde dos aguilhões que ferem. Vamos nos escondendo, nos desviando e, por tantas vezes, nos consolidando na certeza de que nos basta a escolha de um caminho. Fechamos os olhos a outras estradas, trilhas favoráveis que se insinuam, mas que são desconhecidas. Até quando o casulo se rompe, a película se desfaz e precisamos exercitar as nossas asas, antes que se atrofiem. Metamorfoseamo-nos e descobrimos que a liberdade e a transformação, muitas vezes, esteve a poucos centímetros de onde pisávamos, esperando-nos, aguardando a oportunidade certeira  de acontecer, quando descobrimos que desejamos criar, mais do que copiar moldes, viver aquilo que nos interessa, nos encanta, mais do que nos adaptarmos ao que não mais nos motiva e nem acrescenta; voar e não mais caminhar a passos lentos, ou rastejar...

Eu amo as borboletas porque elas nos fazem lembrar que, na vida, tudo se transforma e nesse processo de metamorfose é preciso tempo e paciência. Estamos a cada instante renascendo e olhando para dentro de nós. Somos espíritos em aprendizagem, buscando sempre o melhor e que essas mudanças possam acontecer sempre no sentido de nos reconstruirmos e sermos melhores do que somos.

“Não haverá borboletas se a vida não passar por longas e silenciosas metamorfoses.”

(Rubem Alves.)

4 comentários:

  1. Parabéns Princesas!!
    Mais uma vez um texto lindo, lindo!!!

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  2. As borboletas vivem apenas alguns dias, porém, enche de cores os olhos da gente! Nos, humanos, vivemos tanto e qualquer sofrimento, mesmo sabendo que será para o bem, é algo que torna-se objetivo de lamúrias e escuridão... Não sabemos colorir o mundo!
    Parabéns pelo texto lindo, Princesas!

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  3. que descrição espectacular.... as mudanças e o aprendizado fazem realmente parte da silenciosa metamorfose da vida humana... muito lindo queridas Princesas...

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