quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

MENSAGEM DE NATAL



MENSAGEM DE NATAL DO CASTELO LITERÁRIO

Natal é tempo de paz nos corações! É o convite de Jesus ao amor, a deixar que, em cada coração, possa nascer a fraternidade, o respeito, a solidariedade.
Então é Natal! Jesus vem a nós e com ele a esperança de um mundo melhor... São tantas as coisas que pode esta data para nós significar! Que seja o Natal o momento precioso para a celebração infinita da vida, da vida abençoada, ofertada a cada nascer do Sol, reinventada em cada madrugada.... Que seja uma troca de afetos, de carinhos sem perguntas, de sorrisos de esperança.
Natal é sinônimo de ternura, de simplicidade, de se doar ao próximo. No entanto, de que adianta a mesa farta, se, ao sentarmo-nos à mesa, não nos lembramos do verdadeiro significado que essa data nos remete? Transformamos essa data em preciosas luzes cintilantes das árvores, em presentes caros, em mesas fartas e esquecemos o seu verdadeiro sentido: O aniversário do menino Jesus.
Esqueçamos do consumismo! Da correria para comprar os presentes e também da ansiedade em ganha-los! Que importa se em nossa casa não existe uma linda árvore de natal, nem uma rica ceia, nem tampouco presentes a distribuir... Se houver amor em seu coração, se houver união entre as pessoas, aí existirá o verdadeiro espírito de Natal. Cada um de nós pode ser um presépio vivo, que acolhe o menino Jesus no íntimo do próprio coração.
Sinta essa sintonia. Ornemos cada gesto de bem-querer sem preconceitos, não apenas por uma noite, , por um dia, mas por muito mais do que podemos imaginar... Ornemos de brilho duradouro a nossa alma... Brilho de gratidão e humanidade, brilho de gentileza e alegria pura. Reinventemos essa data especial cada vez que for necessário.... Renascer pode ser a cada instante, sempre que o coração suplicar. Celebremos sem contar as horas vindas, sem esperar o fim, sem contar os presentes, mas sendo presença eterna.
   Nesta noite de Natal, diante do infinito poder, roguemos por todos aqueles que choram e sofrem. Supliquemos por todos que buscam paz. Que haja esperança e oportunidade de um futuro melhor para todos. Que em todos os lares haja amor! Que possamos presentear as pessoas com sinceridade, amor, verdade e carinho. Que palavras de sabedoria fiquem tatuadas em nossos corações.
Embora muitas pessoas não acreditem na magia do Natal, ela existe. Está no ar, em uma atmosfera mais receptiva ao amor, ao perdão, à ternura para com o próximo, tudo depende de nós. Precisamos despertar a nossa alma para reencontrar a velha magia. Aproveitemos para retirar as mágoas que escurecem a nossa alma e dificulta a nossa evolução. Que possamos abrir os nossos corações e sonhar, desejar, sorrir e amar. E que a magia do Natal ilumine os nossos corações.
Nós, administradoras do Castelo Literário, princesas da Literatura, defensoras da Literatura Nacional, aqui nos reunimos com o ensejo de fazer chegar a cada coração, a nossa gratidão por tantas e tantas conquistas neste ano que se finda...  Estivemos juntos, trabalhamos, fazendo com amor cada etapa desse laborioso e gratificante ofício. Fizemos uma linda colcha de retalhos, de beleza em poemas, livros, eventos marcantes que permearam de vida os salões do nosso castelo.
A todos que lado a lado caminharam conosco nessa jornada, o nosso muito obrigada!
Que nesse Natal possamos receber do menino Jesus uma boa dose de inspiração, aliada ao amor, para fazer de 2018 um ano de mais alegria e paz!
Nada mais precisamos pedir, conhecemos o poder do verso transformador, conhecemos a força explícita no verso de protesto e sabemos com isso que tudo pode ser mudado, com a força da nossa voz em uníssono...
Que todos os dias sejam Natal para todos nós!
Feliz Natal, feliz ano que desponta com seus dias desconhecidos, mas prometidos de Fé. É só acreditar.... Tudo vem e tudo passa, mas sempre permanece o que é de Luz!
(Texto a quatro mãos pelas escritoras: Cristiane Vilarinho, Maria Luíza Faria, Suely Sette e Vólia Loureiro)



quarta-feira, 16 de setembro de 2015

PENSAMENTOS A QUATRO MÃOS - EDUCAÇÃO, CAMINHO PARA A CIDADANIA




EDUCAÇÃO CAMINHO DA CIDADANIA

O que significa educar? A quem pertence o papel de educar? Qual a situação da educação no nosso país?

Educar é estimular as capacidades físicas, cognitivas e morais de um indivíduo de forma a integrá-lo plenamente na sociedade a que pertence. É o caminho que leva o indivíduo à conquista da sua cidadania e leva também a sociedade ao progresso material e moral.

Não é novidade alguma os graves problemas da Educação no Brasil. É como bater em uma tecla gasta. Lemos, ouvimos, falamos, “palpitamos”, nos surpreendemos de vez em quando, nos exaltamos vez por outra, e esperamos sempre.

Quando falamos da Educação como formação, como profissão, esbarramos em todas as adversidades que se apresentam em um país onde ela é deixada de lado. É revoltante ouvir autoridades falando do tema sem nenhum compromisso e nem conhecimento da verdade, e esta está presente no dia a dia dos professores, nas salas de aula.

Falta de condições físicas, no que diz respeito às instalações apropriadas (há escolas no interior do país, que não têm sequer cadeiras), despreparo dos professores e funcionários,  falta de políticas sociais sérias e compromissadas, que incentivem o interesse do aluno a permanecer na escola, que o faça ter prazer no estudo, desvalorização da carreira do Magistério ( baixos salários, falta de planos de carreira, falta de cursos de reciclagem), distanciamento da família com as atividades da escola, são alguns entre os muitos problemas vividos pela Educação no Brasil.

Dizem por aí: - “Quem quer ser rico não vá ser professor...” É bem verdade que ser professor é ser um vocacionado, pois, se assim não fosse, as escolas há muito não existiriam. Todavia, é preciso que haja respeito. Como exercer a vocação em escolas sucateadas? Como exercer a vocação com projetos criados de cima para baixo?

Toda a ilusão propagada país afora está longe da realidade vivenciada nos recantos mais humildes. Uma pequena parcela tem acesso ao que verdadeiramente podemos definir como “boa educação”. A parcela restante sobrevive do empenho e do esforço dos que ainda acreditam que é possível sobreviver, alcançar algo grandioso, subir ao pódio uma vez na vida. Professores de hoje são heróis anônimos, lutando contra gigantes armados, programados para eliminá-los... Escolas sem segurança, alunos revoltados e desinteressados, salários indignos, deveres sem direitos, eis a vocação.
Programas e mais programas, estratégias, esforço dobrado, amor, vocação, eis as armas de que dispõem os professores hodiernos.

Por outro lado, indagamos: A quem pertence o papel de educar? Falamos aqui da educação que forma o caráter, que agrega valores, ensina como ser gente em todos os lugares, sem precisar de manual de instrução para saber se comportar. Referimo-nos à educação moral, que está cada vez mais escassa.

Há algumas décadas, tinha-se como certo que aos pais era dada a tarefa da educação moral de seus filhos e aos professores era legada a tarefa da instrução, da educação do intelecto. Hoje em dia, porém, é cada vez mais comum os pais relegarem à tarefa da educação moral de seus filhos à escola. Em outros tempos, os professores instruíam e passavam seus conhecimentos, hoje, assumem também a tarefa de educar e disciplinar crianças que vêm de seus lares.

Lembramos que a Educação é compromisso de todos. A base da educação moral é dever da família e não da escola. Toda construção requer um alicerce bem feito, o lar, a escola e a sociedade devem se dar as mãos na busca da Educação ideal, formadora de cidadãos.
A tecnologia ensina muita coisa, facilita o conhecimento, mas não forma a personalidade. Esta é formada nos primeiros anos de vida escolar e familiar.
Despertar na criança o olhar que já é repleto de curiosidade, deixar exalar essa curiosidade. Incentivar a busca pelas respostas é o caminho.

A nossa realidade requer uma escola que tenha sua proposta de Educação expressa em um projeto funcional abrangente, que reflita às expectativas de toda comunidade. 
A tarefa da Educação deve envolver a todos, para que se construa uma escola criativa, crítica, democrática e de qualidade. 
Os pais devem ter a consciência da importância do seu papel na formação moral de seus filhos, compreendendo que essa tarefa se dá no dia a dia, através do exemplo, da disciplina e do amor. 

A Sociedade deve tomar consciência de que, sem Educação, não existe progresso, nem liberdade.
As crianças e os jovens de hoje serão os pais, os professores, os cientistas, os gênios do amanhã e este chega logo. Que não precisemos chorar mais tarde os gênios perdidos, o futuro promissor abortado.

“Quem abre uma escola fecha uma prisão. ”

                                                                                                                 Victor Hugo

Texto a quatro mãos pelas escritoras Cristiane Vilarinho, Maria Luíza Faria, Suely Sette e Vólia Loureiro.

sexta-feira, 7 de agosto de 2015

PENSAMENTOS A QUATRO MÃOS



ERRAR É HUMANO

Errar é humano! Quantas e quantas vezes já ouvimos essa frase? E quantas não foram as vezes que a repetimos, justificando os nossos próprios erros, como se fosse um álibi, a súplica pelo perdão, depois do pecado? Errar é inerente a nossa condição humana, faz parte da vida cometermos erros e quem nunca errou que se manifeste!
Só aprende a andar quem primeiro aprende a cair, eis uma verdade! Nós evolvemos pelo método da tentativa e toda tentativa está sujeita a erros. Não há no mundo alguém que nunca tenha errado. Erramos sempre, erraremos enquanto vivermos. Talvez, seja exatamente o fato de cometermos falhas o que nos torna mais próximos uns dos outros. Sermos todos passíveis de fraquezas, deslizes, pecados, nos iguala a quem se diferencia por títulos, conhecimentos, posição social e tantas outras coisas.
Erramos inconscientemente; às vezes, até por amor! Coisa muito comum de acontecer entre pais e filhos, por exemplo. Pensamos no bem dos nossos filhos e, em nome desse bem querer, muitas vezes, erramos.
Certamente que alguns erros são aceitáveis, enquanto outros denotam falta de maturidade e caráter. Existem erros que ultrapassam os limites da sanidade tão bem-vinda. Para quem se dá o direito de julgar, matar, fazer da vingança uma meta, para esses, acreditamos não haver salvação possível. Errar é humano, desde que o erro não seja intencional, desde que o que nos impila seja a vontade de acertar e o erro seja apenas um passo mal calculado na nossa caminhada. É preciso que tenhamos a consciência de que, uma vez reconhecendo o erro, não tornemos a repeti-lo, pois aí já passa a ser proposital, já passa a ter dolo e as consequências são sempre más. Então há erros e erros!
Errar faz parte da nossa trajetória de crescimento, mas só é perdoável quando não existe a intenção, ou quando o erro é cometido em um momento de privação dos sentidos, sob violenta emoção ou sob um arrastamento aos nossos instintos mais primários.
Errar é humano e perdoável, é correto pensar com indulgência e compreensão: todos têm o direito de errar. Porém, temos o dever de assumir as responsabilidades pelos nossos atos. O conflito diante do erro está na aceitação, no quanto o erro afeta, na compreensão por parte do outro, porque perdoar exige mais do que aceitar. Exige libertação, humildade, tempo. Exige doação. E não é fácil, porque um erro pode levar a dores profundas, mágoas, tristezas, laços desfeitos, rupturas irreversíveis. Mais humano do que errar é ter a dignidade de se curvar e reconhecer a fraqueza; se reerguer e tentar não permanecer no mal, ou não repeti-lo.Acertar sempre é muito difícil, todavia, caminharmos buscando essa perfeição é um dever para com o amor, a mola mestra da vida. Perdoar quem conscientemente busca a redenção é altruísmo e grandeza de alma.
Um ponto importante a considerar é com relação à culpa. Ficar se lamentando dos erros cometidos é algo totalmente improdutivo e não beneficia a ninguém. Se temos consciência de que erramos, o que temos a fazer é procurar consertar o erro, ou pelo menos, minorar-lhes as conseqüências e seguir adiante, tendo o cuidado de não mais cometê-lo. A vida sempre nos permite e oportuniza com possibilidades de corrigir os passos negativos. Então, que procuremos valorizar essas oportunidades que, muitas vezes, surgem em forma de bons conselhos, estes  nos direcionam ao conhecimento. Que saibamos manter o foco e procuremos fazer tudo do modo mais correto, buscando sempre o melhor dentro de nós, para que a nossa caminhada seja bela e que o amor emule sempre os nossos passos, apesar das quedas no percurso.

“Errar é humano, perdoar é preciso, e correr atrás daquilo que realmente queremos é uma obrigação. Viva, ame, pense, erre, caia, levante. E depois do erro, corra atrás de refazer o seu acerto, faça tudo o que desejar fazer, diga te amo sem medo de não ouvir isso depois, aproveite a vida, nunca se sabe o dia de amanhã.”
Bob Marley


(Texto a quatro mãos pelas escritoras Cristiane Vilarinho, Maria Luíza Faria, Suely Sette e Vólia Loureiro)

quarta-feira, 22 de julho de 2015

PENSAMENTOS A QUATRO MÃOS - RECOMEÇAR


RECOMEÇOS

Recomeçar... a arte de tentar de novo, refazer depois de uma interrupção. “Tente outra vez”... “Recomece”, é o que ouvimos, sempre que colocamos um ponto final no que não deu certo.
Recomeçar é bem mais que uma simples palavra ou suas definições e sinônimos, requer coragem e uma boa dose de determinação. É dar-se uma chance de fazer melhor. Rever conceitos, atitudes, reestruturar nosso caminho, endireitando as trilhas do passado, antes equivocadas, implica em renúncia e renunciar, por vezes, dói.
No primeiro momento, não conseguimos sair do lugar. E agora? Abandonar a zona de conforto para tentar outro caminho? Mirar um horizonte incerto? O novo nos assusta. O tentar outra vez é um passo inseguro. Novas possibilidades parecem lindas nos contos, nos sonhos, nas novelas com finais previsíveis. Mas, e na realidade crua, sem bola de cristal? Não é fácil. E requer uma coragem maior do que pensamos ter. Levantar, arregaçar as mangas, vestir-se de confiança e acreditar em nós mesmos. Recomeçamos um pouco a cada dia, pela singularidade com que é tecido cada amanhecer.... Fazer diferente, termos a força para encerrarmos um ciclo que não deu certo e partir, sem medo, rumo ao novo que se apresenta é o que importa. Dar passos firmes, e, se necessário, voar sobre os desafios, não é tarefa muito fácil, mas é possível.
A vida é cheia de ciclos: o dia é sucedido pela noite e esta terá um novo dia como sucessão. As estações do ano se sucedem e retornam no tempo certo. Tudo se renova! Nós também precisamos de renovação.... Abrir as janelas e deixar que os ventos da renovação penetrem os nossos medos e preconceitos; tirar o mofo dos valores ultrapassados, evoluir!
Mas é preciso coragem e desapego. É preciso saber perder, para poder ganhar. A vida se renova a cada dia, e precisamos estar atentos, aproveitando toda essa energia. As oportunidades, são, de fato, a maior graça do que possuímos diante de um recomeço. Porém, vivemos em função do momento, que, muitas vezes, nos paralisa pelo medo, pela incerteza do novo. E nesse processo de renovação, muitas coisas temos que deixar pelo caminho: pessoas, valores espirituais, coisas materiais. Às vezes, precisamos sofrer para aprender e evoluir, não existe bônus sem ônus.
Insucessos devem, antes, serem motivadores, por mais que nos decepcionem a princípio. Erguer-se do pó, renascer mais fortes é próprio dos corajosos, que saindo da zona de conforto, lançam-se em “mares nunca dantes navegados” (Camões). Mas, lá no fundo do túnel, existe a luz, o desejo de continuar a caminhada. Porque recomeçar é luz que aquece a nossa alma, é chama viva do milagre da vida, tão necessária para não apagar o milagre da fé e não nos deixar sucumbir. De um mundo mergulhado em trevas, a luz, mesmo distante, aponta caminhos. E essa luz habitará o nosso interior, se assim a cultivarmos com sabedoria. Pois, aproveitar a dádiva da vida, é vivermos em equilíbrio, firmes no propósito do bem viver. É preciso fé para seguir em frente e compreender que cada coisa tem seu tempo no tempo de Deus.
Aprimoramento pessoal, crescimento individual é o que liberta a alma cheia de enganos.... Começar de novo.... Se há um sonho, um imenso desejo, se há bastante fé e um sorriso desenhado na alma, é possível, sim!

“Recomeça.... Se puderes, sem angústia e sem pressa e os passos que deres, nesse caminho duro do futuro, dá-os em liberdade, enquanto não alcances, não descanses, de nenhum fruto queiras só a metade.”
Miguel Torga


quarta-feira, 27 de maio de 2015

QUEM CONTA UM CONTO...CONTA A CINCO MÃOS - GANÂNCIA





GANÂNCIA

Ganância é sempre querer mais, além da necessidade, sem se importar se tal querer possa prejudicar alguém ou fazer falta ao outro. O apego excessivo e descontrolado por bens materiais, poder, fama, sucesso, é considerado um dos sete pecados capitais, pois o ganancioso dá mais valor aquilo que pensa possuir do que a sua paz interior.
A ganância é um dos tentáculos do egoísmo e prejudica, sobremaneira, àquele que sofre desse mal moral. Aliada à inveja, esse vício causa sofrimento, pois traz a eterna insatisfação.
É natural e até aceitável que o ser humano tenha em meta progredir na vida. Nada há de errado em querermos bens, melhor qualidade de vida, mais conforto para as nossas famílias. Tudo isso é saudável e deve mover o homem, desde que bem dosado. Porém, a ganância em acumular riquezas , esquecendo de viver é um mal lamentável e doentio.
A pessoa gananciosa tem um apetite voraz pelo ganho. Deseja ter, possuir cada vez mais, não importando os meios utilizados para atingir os seus objetivos, sejam eles lícitos ou não.
Não se trata apenas de cobiçar o dinheiro alheio, o braço poderoso da ganância se estende pelo poder, pela fama, por verdadeiras fortunas em terras, gado, pedras preciosas, ações, etc.
Às vezes, a ambição do ganancioso é obsessiva, não envolvendo nenhum valor, mas a cobiça pela fama conquistada pelo outro, quando se trata de alguma celebridade ou um cargo de grande prestígio em uma grande corporação. Não interessa ao ganancioso o prejuízo que irá provocar para as pessoas ou para as empresas, provavelmente dirá que os fins justificam os meios.  Aqui falamos de poder, fama, fortunas imensas, mas não é só no meio corporativo ou na vida das celebridades e milionários que a ganância  se manifesta. No dia a dia de pessoas simples, em nosso cotidiano, temos os gananciosos de plantão.
É fato que, desde todos os tempos, o homem tem o seu caráter corrompido pela ganância, para comprovarmos isso, basta observar a história da Humanidade. Em todas as épocas, percebe-se que a ganância sempre dominou o ser humano e, até hoje , este é corrompido pelo desejo desenfreado de dinheiro e poder.
Verdadeiras atrocidades são cometidas, em nome da ganância, afetando muitas vidas indefesas ante a fúria que transforma homens em bestas humanas.
A desigualdade social comprova esses excessos humanos. Completude, contentamento, mentes equilibradas parecem inexistirem nesse cenário de horrores em que se transformou o mundo.
Estamos cercados pela ganância de poder, de bens materiais, status; mede-se o valor da pessoa pelo que ela tem. Com isso, a ganância atropela os valores morais, corrompe, seduz, desnorteia. E os valores que tornam o ser mais humano vão sendo esquecidos.
 A paz não mora no coração do ganancioso. Quem consegue ser feliz dessa forma? Este pensa ser feliz, mas, na verdade, está se enganando, sobretudo, quando só vê a ambição à sua frente e o desejo de obter sempre mais e mais. Esquecendo-se de viver, de ter momentos de paz e lazer com sua família, amigos... Se pensasse que a felicidade não se encontra no ter, mas, sim, no ser, o ganancioso muitos males para si evitaria.
Por que não ter ganância para oferecer mais alegria a quem convive conosco? Para fazer um trabalho de qualidade, generoso, sem ansiar pelas recompensas materiais? Por que tudo deve ter um bônus? Há ganância pelos melhores lugares, desde um simples banco de escola até a mais elevada posição no emprego, mas não há quando se trata de solidariedade, de fazer o bem, de oferecer conforto ao coração. Estamos num tempo de “cada um que corra atrás”. E a corrida é disputada; os mais frágeis são atropelados. A ganância atropela a sensibilidade, esquece a simplicidade e desconhece a humildade e a gratidão.
A beleza da vida não está no ouro que brilha nas joias e atraem os ladrões. Mas, na joia da amizade verdadeira, que aquece os corações; na paz do lar humilde, onde o amor e o respeito impera, na sensibilidade de apreciar as pequenas belezas da vida, como o canto de um pássaro, o colorido da borboleta que beija a flor do campo, ou o sorriso de uma criança a brincar.
Ganância... Não traz paz, nem felicidade. Simplicidade é o melhor caminho.
(Texto a cinco mãos pelas escritoras Cristiane Vilarinho, Maria Luíza Faria, Nell Morato, Suely Sette e Vólia Loureiro)


quarta-feira, 20 de maio de 2015

QUEM CONTA UM CONTO...CONTA A CINCO MÃOS - MUDAR É PRECISO



MUDANÇAS

A vida é feita de mudanças, elas fazem parte do nosso crescimento como ser humano. Tão necessárias são as mudanças! Mesmo as mais simples... Mudar uma poltrona de lugar para não termos que olhar sempre a mesma parede. Mudar a cortina, porque o pó acumulado resiste à limpeza de todos os dias. Mudar as cores das roupas, para colocar um pouco de graça na vida. Enfim, mudar, porque é necessário certos recomeços, trocar os ângulos, buscar outras frestas e encontrar mais sol. Algumas mudanças são fáceis e fazemo-las com entusiasmo, outras, acontecem à nossa revelia e demoramos a nos adaptar a elas, mas sempre sobrevivemos e aprendemos com elas.
Mudanças geram estranheza e, muitas vezes, inseguranças. Acostumados com a rotina, algumas vezes, não conseguimos pensar em mudança, o que é um erro, pois mudar para melhor e buscar novas oportunidades deveria ser obrigação. Tudo o que nos afasta da rotina pode parecer assustador no começo, mas é errônea  essa maneira de pensar.
 Há pessoas que são avessas às mudanças, prefeririam que a vida permanecesse sempre a mesma, resistem às mudanças  pelo conforto de tudo estar (supostamente)organizado, ainda que esta ordem fuja de sua completude, resistem pelo medo de não ser suficientemente fortes para inventar outra história e fazer dela um capítulo mais verdadeiro; resistem até que lhes falte o ar da vida no espaço onde viver é apenas seguir um dia após o outro.
Outras pessoas são eternos mutantes, verdadeiros turistas da vida, têm o espírito aventureiro, irrequietos, verdadeiros Kamikazes atiram-se de cabeça em aventuras que podem ser positivas e em outras vezes, precipitadas ou mal conduzidas , podem levar ao insucesso.
 Mudança é sempre um desafio. Um passo incerto , às vezes, mas que traz o equilíbrio da razão, desperta o gosto pela renovação, desvenda o encanto que os move em direção à tranquilidade. A mudança nos permite a sensação de co-criação, é como estar dançando em um universo só nosso, cheio de amplas possibilidades. Mudar, transformar, redesenhar a vida é dever para conosco mesmo e para com o mundo que nos cerca.
Mudar é importante e necessário, porém, é importante perceber que tudo tem o seu tempo certo de acontecer. Não adianta tentar mudar sem que se tenha maturidade suficiente para suportar a mudança. É necessário que , no processo de mudança, deixemos algumas raízes, que tenhamos parâmetros, modelos. Importa vivermos o hoje observando as experiências do passado e também visando às construções do futuro. O aprimoramento da alma, a aprendizagem precisa passar pelo processo de mudança. Mudar é bom e importante, mas a vida também precisa de portos seguros.

“Toda reforma interior e toda mudança para melhor dependem exclusivamente da aplicação do nosso próprio esforço.”  Immanuel Kant.

(crônica a cinco mãos pelas escritoras: Cristiane Vilarinho, Maria Luíza Faria, Nell Morato, Suely Sette e Vólia Loureiro)


segunda-feira, 4 de maio de 2015

QUEM CONTA UM CONTO...CONTA A CINCO MÃOS - COM AÇÚCAR E COM AFETO




COM AÇÚCAR E COM AFETO

Afeto é partilha de amor. É a materialização do amor que existe na alma. Sentimento de inclinação de alguém para o outro, expresso em gestos, por vezes tão sutis, que passam despercebidos. Afeto é a sutileza que se traduz em palavras doces, gestos amorosos e em todo amor que por ele se revela.
O afeto é fundamental para o bom funcionamento da relação entre as pessoas. Graças a ele, as pessoas conseguem criar laços de amizade, não apenas entre si, mas até com os seus animais de estimação. As relações e laços criados não se fundamentam apenas nos sentimentos, mas, também, em atitudes de afeto que precisam ser cultivadas para que se tenham relacionamentos prósperos.
O abraço é gratuito. Dispensa justificativas, palavras, pedidos. Mas, tem o dom de amenizar a angústia, a dor. Acolhe, é aconchego, é bálsamo e ajuda a curar... A simples mensagem em um pedaço de papel faz o coração dar um salto de alegria. Não há exageros, nada de frases elaboradas. Nenhum bordado na folha comum, mas há sentimento evaporando das letras. O sorriso cruza a rua e faz o rosto ganhar contornos de alegria. A alma curva-se, grata. Um simples sorriso, sem preço, sem custos. Todavia, capaz de atravessar o mundo e espalhar sementes invisíveis de esperança. As mãos se tocam, os passos se cruzam, os olhares enviam mensagens de luz e amparo... Isso é afeto.
“Bem-aventurados os mansos, porque possuirão a Terra”, afirmou Jesus. Muita gente pode desacreditar dessa afirmativa ao observar a violência do mundo hodierno. As pessoas estão, a cada dia, mais desconfiadas e prevenidas contra o outro, porque é grande a iniquidade. Porém, nunca o ser humano precisou tanto de afeto. O mundo anda carente dessa virtude. Andando por aí é fácil vermos cenas de descontrole emocional, agressões desumanas que afastam da gente a divindade do afeto. Essa carência, juntamente com o medo de se dar, de se fazer conhecer, faz com que as pessoas procurem o afeto no mundo virtual; os sites de relacionamento estão aí, cheios de pessoas, cada vez mais conectadas, portando os seus celulares e tablets, buscando suprir no mundo virtual a sua carência real.  Isso é bom e importante até certo ponto, todavia é preciso que não se troque o mundo real pelo mundo virtual. É preciso que nos abramos para o afeto; que saibamos dar e receber amor.
O mundo suplica por afeto. De joelhos, procura entre as fendas da arrogância, da frieza, da ganância, da negligência, do desconsolo, da crueldade. Implora aos ouvidos surdos do poder, do dinheiro desumano, da escassez de humildade e de fé.
Por ser feito da doçura de um abraço, da ternura de um olhar, ou da gratuidade de um coração generoso, o afeto é doce como mel, açucarado pela bondade que deveria ser o tempero da vida.
O amor é a razão da vida. A Humanidade está cansada de sofrer os efeitos do egoísmo e da violência e precisa descobrir que o segredo da felicidade está na mansuetude e na afetuosidade com que tratar o próximo. Isso haverá de acontecer um dia, e nós podemos fazer a nossa parte. O afeto é, na verdade, a fala mansa e suave da criança, ou do ancião que já voltou à velha infância. É também a gratuidade da ação dos jovens engajados no bem do próximo. Afeto não tem idade, tem, sim, a necessidade de ser mais doado e nós podemos fazer a nossa parte, acreditando no amor, dando uma chance à paz e agindo sempre, “com açúcar e com afeto”.

“Que continue sendo doce o seu modo de demonstrar afeto, o seu jeito, seus olhares, seus receios... Que doce seja uma ausência do nosso medo, o seu abraço e a maneira como segura minha mão. Que seja doce, que sejamos doces, e seremos, eu sei...”
Caio Fernando Abreu


(Texto a cinco mãos pelas escritoras: Cristiane Vilarinho, Maria Luíza Faria, Nell Morato, Suely Sette e Vólia Loureiro)