Mostrando postagens com marcador Conto. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Conto. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

AQUELA VIAGEM


AQUELA VIAGEM!     AO ENCONTRO DO AMOR...

Juliana estava em frente ao notebook, olhos fixos na tela e no belo rosto masculino, de lindos cabelos castanhos, boca sedutora e sorriso ausente.   Vez ou outra, sua mão acaricia suavemente o rosto na tela e os olhos da figura marcante parecendo fixos nela, e acompanhando seus movimentos. Demora-se naquele ritual doloroso, até que as lágrimas escorrem pelo seu rosto e se entrega num pranto compulsivo.
- De que adianta?  Não está olhando para mim!  - grita, a voz embargada pelo choro.
- Que vou fazer para te tirar da minha cabeça?  Não quero mais pensar em ti. Como posso te desejar ainda?  Você foi um canalha! E eu vou enlouquecer. Baixa a tela fechando o note e se atira no sofá, escondendo o rosto numa almofada, como a pedir socorro, para aplacar a saudade e o cruel sentimento de rejeição que a devora, desde que recebeu aquele e-mail.
Juliana Megavich, meses atrás, apaixonou-se perdidamente por um amigo de bate-papo no Facebook.  Falavam todos os dias, trocavam músicas e muita informação. A empatia foi aumentando dia a dia, quando acordava, lá estava no chat, um “bom dia” caloroso.  Falavam a tarde e a noite também. E a amizade se transformou em desejo.  A sensação era física, sentia seu corpo dolorido e arrepiado cada vez que se falavam.  Não aguentando mais resolveu comentar o que sentia.  Ele ficou surpreso e pareceu gostar do que provocava nela.  Então, começou a pedir fotografias e para que ela instalasse um aplicativo para poderem falar por telefone, via internet, ela no Brasil e ele na Espanha. Demorou a tomar providências e numa bela noite, muito agradável, ele simplesmente sumiu, apagou o face, sumiu tudo.
Durante dias e dias, Juliana tentou entrar em contato, não sabia o que estava acontecendo, enviou vários e-mails, e não recebia nenhuma resposta, nenhum sinal. E decidiu escrever uma linda carta de amor, como última tentativa de contato.  Agora, sabia que estava apaixonada, sentia a falta dele, eram só palavras escritas no chat, mas era tudo o que tinha. Enquanto escrevia a carta, percebeu que a ausência dele poderia ser pela falta de confiança dela, em não enviar as fotografias e instalar o aplicativo. Pediu perdão pela demora em solucionar esse impasse.  Precisava de notícias, estava desesperada sem saber o que havia acontecido.
Naquela linda carta de amor, desnudou seu coração e falou de todos os seus sentimentos por ele, sem entender muito bem como aconteceu, de apaixonar-se por alguém sem ver, sem tocar, sem ouvir a voz, sem sentir o cheiro.  Mas sentia o desejo aflorando em seu corpo, todos os dias e o dia todo quando pensava nele, ou quando sonhava.  Despediu-se pedindo perdão pela falta de confiança, mesmo sabendo que ele não a perdoaria, sabia que era tarde demais. Enviou a carta e ficou na esperança de receber notícias, mesmo que não a perdoasse de imediato, acreditava que voltariam a se falar.
Os dias passavam devagar e nada acontecia.  Continuava sem notícias dele, sem saber o que havia acontecido para sumir repentinamente. Mas alimentava a esperança de que de alguma forma ele faria contato.  Um dia naquela semana, ao abrir o seus e-mails, deparou-se com um especial, e custou a acreditar, que Nicholas Castell o havia enviado em resposta à sua carta.
Abriu o e-mail e à medida que ia lendo, as lágrimas rolavam silenciosas pelo seu rosto.  Quando chegou a última linha, voltou ao início e leu outra vez e outra, não conseguia acreditar no que estava escrito, e gritou:
- Canalha! Canalha e covarde! Como pode me excluir do seu perfil no Facebook? Se não queria nada, não desejava nada, podia ter dito, podia ter falado comigo. Eu o deixaria em paz! Uma raiva furiosa tomou conta dela, queria esbofeteá-lo naquele momento, pela covardia do ato infame.
Mas, o tempo foi passando, e a raiva se apagando. O amor que sentia parecia mais forte e os sonhos mais frequentes. Continuava alimentando os sentimentos, sem saber o que fazer.  Incrível que ainda havia um resquício de esperança, uma determinação de reverter o que havia acontecido.  Mas não sabia como fazer e nem o que poderia ser feito.  Alternava momentos de raiva, pelo desprezo e rejeição, e outros de perdão pelo ato canalha que o afastou dela.
Nada melhor que o tempo para acomodar um coração partido e curar, parcialmente as feridas.  E assim, a mente fica liberada para pensar em tudo o que aconteceu e talvez, quem sabe, procurar uma solução.  E Juliana passou a sonhar acordada.  E seus sonhos a levavam para longe dali. Devaneios e ilusões de uma mente apaixonada.
Sonhava em encontrar uma linda casinha isolada, para onde pudesse levar o seu amor. Ela sonhava acordada e enquanto dormia, e os sonhos começaram a se misturar e Juliana não sabia mais o que era real e o que era sonho.  Então, num feliz momento de lucidez, decidiu tomar cuidado e não se envolver demais com seus devaneios.  E resolveu tentar esquecer o que sentia pelo Nicholas.  Não queria mais pensar nele, e se entregou ao trabalho, com o firme propósito de esquecer aquele sentimento que nutria por ele.  E às vezes pensava no desejo que aflorava em seu corpo, cada vez que se lembrava do seu rosto e das suas palavras, das músicas que ele gostava e que ela passou a ouvir.  Podia controlar os sonhos quando estava acordada, mas quando dormia, sonhava muito.
Depois de cinco meses, onde chorou, sofreu, foi rejeitada e desprezada, descobriu que estava muito bem e sentia-se forte e pensava estar pronta para esquecer. Enganou-se!    Sentia a falta dele, saudade de conversar, e percebeu que o que sentia era tão forte que até poderia sentir o cheiro dele, sem nunca ter estado com ele.  O perfume de seus cabelos macios e sedosos, sem nunca ter tocado.  Não conseguia explicar, se realmente estava apaixonada ou era uma obsessão doentia.
Precisava de uma resposta, não suportava mais o desejo que a dilacerava, a vontade de beijar aquela boca sedutora e sentir as belas mãos em seu corpo. Talvez se eles tivessem se encontrado, poderia ter se decepcionado, e aí o teria esquecido com facilidade.  E só existia uma maneira de buscar a resposta.  Precisava encontra-lo pessoalmente.  Deveria fazer aquela viagem! Uma viagem ao encontro do amor!
Dedicou-se a fazer planos para uma possível viagem para a Espanha. Nem sabia direito onde Nicholas residia.  Mas estava determinada a encontra-lo, e a internet poderia auxiliar na busca pelo munícipio de Alboraya, na Província de Valência. Consultou os mapas do Google para se localizar, verificando que a cidade ficava muito próxima de Valência. Não sabia se poderia ir direto ou deveria ir para Madri e ficou o resto do dia fazendo planos e pesquisando.
Ao final de 48 horas, Juliana estava com seu roteiro de viagem concluído. Pegaria um voo para o Rio de Janeiro e de lá , um voo internacional direto para Valência. De Valência, poderia tomar a Linha Três do Metrô, porque o município de Alboraya estava ligado à área metropolitana de Valência.  Economizaria alguns trocados, porque a sua grande viagem ficaria com a conta muito salgada. Para localizar a residência de Nicholas, teria que tomar um taxi, não poderia ficar circulando a pé. Decidiu fazer reserva no Hotel Olympia Valência, que fica perto da praia em Alboraya.  Seria muito bom, dependendo do resultado do encontro, poderia se afogar no Mar Mediterrâneo.
Verificou o passaporte e demais documentos, para não ter surpresas desagradáveis. Consultou a internet para saber o clima na região, para fazer suas malas, não gostaria de levar muita bagagem, não queria pagar excessos, mas também não gostaria de precisar gastar com vestuário na Espanha.  O motivo daquela viagem era encontrar ou não o amor, não estava viajando para fazer turismo.
Juliana chegou à Valência numa linda manhã, e tão logo desembarcou, saiu do prédio do aeroporto para ver o céu lindamente azul e o sol brilhando.  Sentia-se muito feliz.  Informou-se da estação do metrô e rumou para lá, seguindo o seu roteiro.  Desceu na estação em Alboraya, e respirou fundo.  Tomou um taxi para o hotel, onde iria descansar e se preparar para ir ao encontro de Nicholas.
            Após um banho relaxante, dirigiu-se ao restaurante para uma refeição e pensar como iria fazer para bater na porta da casa dele.  Entrou em pânico, e se ele tivesse mentido para ela e fosse casado? Tudo poderia acontecer, até encontrar uma senhora Castell.  Resolveu que faria uma investigação prévia, mas não desistiria sem tentar.
Juliana seguiu para a residência de Nicholas, o taxi a deixou próxima da casa, em frente a uma Loja de Doces.  Entrou na loja e fez algumas perguntas para uma simpática moça no balcão.  Descobriu que naquela casa vivia um homem sozinho.  Quase saiu correndo em direção à casa.  Controlou-se e foi andando até a porta e bateu.  O corpo tremia e suas pernas pareciam que não aguentariam o seu peso.  A porta abriu e ela o viu, igual na fotografia, ele ficou olhando curioso, a moça na sua frente, até que ela fala:
- Olá Nicholas? Está me reconhecendo?  Estou diferente da fotografia, mas sou a Juliana, não vai me convidar para entrar?
Nicholas fica visivelmente surpreso, mas afasta-se para lhe dar passagem, e ela entra na casa.  Ele fecha a porta e a convida para sentar no sofá em frente.
- O que você está fazendo aqui?  Como... Por que ... Você veio? Depois que eu...
- Não diga nada, eu sei o que você fez.  A verdade, eu vim aqui buscar a verdade sobre o que eu sinto por você.  Não aguento mais a saudade que sinto dentro de mim e o desejo de ter você.
Ele se afasta até uma janela e fica olhando para fora durante um tempo, então se vira para ela e pergunta como vai saber a verdade.
- Não nos conhecíamos pessoalmente, então pensei que se viesse aqui e olhasse para você, eu saberia a verdade, poderia me decepcionar e tudo ficaria resolvido.
Nicholas se aproxima dela, e durante alguns instantes fica olhando-a, sem saber o que dizer.  Então, ela chega bem próxima, e lhe diz:
- Você sequer imagina, quantas vezes eu olhei sua fotografia e desejei beijar esta boca, tocar em seu rosto e em seus cabelos, ou ser abraçada por você.  Sua voz estava ofegante, percebia-se a emoção e o desejo e de repente ele a abraça e a beija.  Juliana coloca os braços ao redor de seu pescoço, afaga seus cabelos, toca em seu rosto, saciando a vontade do corpo dele. Separam-se e ele parece ficar constrangido e volta a olhar pela janela. Juliana permanece no mesmo lugar, de olhos fechados, como que saboreando aquele beijo e passa a língua sensualmente pelos lábios .
- E então?  Não está decepcionada?  Fale, diga alguma coisa.  Acredito que você perdeu o seu tempo vindo aqui.
- Não.  Eu fiz a coisa certa. Só gostaria de saber por que você me afasta?  Qual o problema? Sou eu? Claro que sou eu!  Puxa, fiquei tão louca que não me dei conta da verdade. Realmente, você não precisa gostar de mim. Nós éramos amigos e bastava para você e eu me apaixonei e estraguei tudo.  Desculpe... Vou embora! Foi um engano!   Lentamente, vai andando em direção a saída e fica parada, olhando para a porta, para se recompor ou acreditar no que acabou de falar.
- Não vá! Se você veio em busca da verdade, não acredito que apenas um beijo a satisfaça.  Fique!  Ele finalmente sorri para ela.
Juliana não tem certeza se escutou ele pedindo para ela ficar, e vai se virando lentamente, e se depara com o lindo sorriso que nunca havia visto e também sorri, larga a bolsa e corre em sua direção e para os seus braços.
Mais tarde, sentados no sofá abraçados, ela fala enquanto acaricia o lindo rosto tão desejado:
- Escrevi uma linda carta de amor para você, depois passei meses sonhando em lhe encontrar e precisei fazer aquela viagem! A viagem ao encontro do amor! Amo você!



quinta-feira, 23 de outubro de 2014

TRILOGIA AMOR VIRTUAL - PARTE II - EU TENHO UM SONHO



TRILOGIA AMOR VIRTUAL – PARTE II

EU TENHO UM SONHO...

            Em uma bela manhã de sol, dentro de uma Agência dos Correios, Juliana está impaciente em uma fila enorme.  Deseja chegar logo ao balcão de atendimento, ou poderá mudar de ideia e não despachar o envelope.  Para ocupar o tempo e se distrair, passa a observar o local onde os envelopes são coletados.  E fica se perguntando, como fazem quando perdem algum envelope, e se for importante para a pessoa que o despachou?  Tipo assim, um caso de vida ou morte, como a carta que está enviando para o Nicholas?   Complicado ficar esperando numa fila, quando se precisa despachar urgente um envelope. 
            Finalmente chega ao balcão, onde uma moça lhe sorri e pega seu envelope, conferindo os dados e inserindo no computador que vai emitir o comprovante. Decidiu-se pelo serviço de SEDEX, encomenda rápida, que em 48 horas estará chegando à Espanha.  Verifica com mais atenção onde os envelopes são armazenados, e devia estar com a fisionomia preocupada, porque a moça lhe diz que o serviço é seguro e o envelope chegará ao seu destinatário. Juliana sorri se sentindo incomodada.  Efetua o pagamento da remessa, apanha seu comprovante e o recibo do despacho e se afasta, saindo imediatamente do local.
            Na rua, sente aquele maravilhoso sol de primavera e sorri, pensando que com o sol aquecendo seu corpo, a esperança parece voltar para sua vida.  Apanha a condução e retorna ao seu apartamento.  Ao chegar dirige-se ao notebook e abre no arquivo do Nicholas, das fotografias dele. E fala com a tela:
- Ah meu amor!  Em breve você receberá minha carta, e tenho certeza que vai responder, não acredito que me deixará sem saber o que aconteceu.
            Abre o Facebook e tenta acessar o perfil dele.  O sistema lhe diz que está indisponível.  E fica olhando fixamente para a tela, sem vontade para trabalhar, sem vontade para nada.  E só pensa nele, na saudade que sente, e o que vai fazer para suportar aquela ausência.  Seus pensamentos a levam para os momentos felizes, onde se falavam todos os dias, da amizade, do carinho, da confiança, dos segredos compartilhados.  Pensa nas palavras que ele escrevia, que a deixava perturbada e o corpo arrepiado.  Na presença marcante daquela fotografia, aquele rosto tão desejado, os cabelos revoltos e suas mãos querendo tocar. Uma força arrebatadora emanava daquele rosto, deixando-a perdida ali, por horas e horas a admirá-lo.
            Ela sabia que precisava reagir, voltar à vida. Mas para que? Queria ele, falando com ela todos os dias, não precisava de mais nada para ser feliz, e agora tinha nada vezes nada.  Todos os dias seguia uma busca na internet, quase um ritual. E a resposta era sempre a mesma: não localizado, não encontrado. Mas precisava fazer, era tão importante quanto respirar.  Quase não dormia, e quando acontecia sonhava com ele, e também sonhava acordada.
Seus dias passavam mecanicamente.  Realizava suas tarefas na internet, porque o trabalho ainda a mantinha com a mente ocupada e era o único momento que “quase” não pensava nele. O tempo andava lentamente, e nenhuma notícia chegava para acalmar seu dilacerado coração. Mas alimentava a esperança de que de alguma forma ele faria contato.  Um dia naquela semana, ao abrir os seus e-mails, deparou-se com um especial, e custou a acreditar, que Nicholas Castell o havia enviado em resposta à sua carta.  E-mail?  E por que não respondeu os e-mails que eu enviei?
Abriu o e-mail e à medida que ia lendo, as lágrimas rolavam silenciosas pelo seu rosto.  Quando chegou a última linha, voltou ao início e leu outra vez e outra, não conseguia acreditar no que estava escrito, e gritou:
- Canalha! Canalha covarde! Como pôde me excluir do seu perfil no Facebook? Se não queria nada, não desejava nada, podia ter dito, podia ter falado comigo. Eu o deixaria em paz! Uma raiva furiosa tomou conta dela, queria esbofeteá-lo naquele momento, pela covardia do ato infame.
- Covarde!  Homem não age dessa maneira!  Canalha! Covarde infame! Como será que ele fez?  Estávamos indo longe demais?  Indo aonde seu inútil covarde? Bastava me procurar e dizer que não queria mais falar comigo. Mas não, tinha que agir como um desgraçado.  E seu corpo tremia pelo choro compulsivo.  Estava morrendo de pena de si mesma, de ter sido enganada, e durante tantos dias, ficou ali, alimentando a esperança de voltar a falar com ele. Que tudo não passava de um engano, um erro na internet.
            Saiu do Gmail e foi para o Facebook procurar o procedimento de bloqueio.  Não sabia onde estava e clicava em todos os sinais que via pela frente.  Até que apareceu na tela: Como faço para impedir alguém de me incomodar? Você pode bloquear uma pessoa para desfazer a amizade com ela e impedi-la de iniciar conversas com você ou ver as coisas que você publica na sua linha do tempo.  Adicionar nome ou e-mail. Juliana ficou perplexa lendo aquelas palavras, sem conseguir acreditar em tamanha infâmia.
- Desfazer amizade?  Como pôde? Que porcaria de amizade que precisa de bloqueio?  Não é nada, não é amizade.  E logo depois que eu falei que o queria.  Canalha e covarde!  Ela gritava, e chorava; chorava mais e gritava, parecendo ser um pesadelo e que a qualquer momento acordaria e a vida estaria igual como antes.
            Assim permaneceu durante algumas horas, chorando e se lamentando.  Seu coração que já estava destroçado, agora sangrava.  O golpe fora muito forte e o desprezo e a rejeição é o que existe de pior.  Que nos joga para baixo, tão baixo, que fica quase impossível visualizar uma saliência, por menor que seja, para se agarrar e tentar subir. Depois de um longo tempo, levantou-se e se arrastando seguiu para o banheiro, onde lavou o rosto vermelho e inchado de tanto chorar.  Quando regressou à sala sua fisionomia marcada pelas lágrimas, estava endurecida pela raiva. E seguiu decidida para o notebook, dando a impressão de que iniciaria uma guerra, naquele momento.
            Verificou minuciosamente o e-mail dele, respondendo em seguida, chamando-o de insignificante e que ficasse com a sua vidinha medíocre.  Mas as lágrimas voltaram, não conseguia se afastar daquelas palavras, a maneira como escrevia era muito particular.  Fechou tudo e se jogou na cama, ficaria lá até secar, até chorar todas as suas lágrimas.
O tempo foi passando, e a raiva se apagando. O amor que sentia por ele parecia mais forte, e os sonhos se tornaram frequentes. Continuava alimentando os sentimentos, a saudade, o desejo, e não sabia o que fazer.  Incrível que ainda havia resquícios de esperança, uma determinação de reverter à decisão de Nicholas. Mas não sabia o que deveria fazer. Alternava momentos de raiva, pelo desprezo e rejeição, e outros de perdão pelo ato infame que o afastou dela. Poderia perdoar, e gostaria de esquecer.
Nada melhor que o tempo para curar as feridas e acomodar um coração destroçado.  E assim, a mente fica liberada para pensar em tudo o que aconteceu e talvez, quem sabe, encontrar uma solução, uma maneira de tudo ser como antes.  E Juliana passou a sonhar acordada.  E seus sonhos a levavam para longe dali. Devaneios e ilusões de uma mente apaixonada.
Sonhava em pegar um avião, buscar Nicholas na sua casa e leva-lo para uma linda casinha isolada.  Longe de tudo e todos, onde eles pudessem viver de amor e desejo. Ela adoraria poder cuidar dele, das coisas dele e se dar inteira para ele.   Ela sonhava acordada e enquanto dormia, e os sonhos começaram a se misturar e Juliana não sabia mais o que era real e o que era sonho.  Então, num feliz momento de lucidez, decidiu tomar cuidado e não se envolver demais com seus loucos devaneios.  E também resolveu tentar esquecer o que sentia pelo Nicholas.  Não queria mais pensar nele, e se entregou ao trabalho, com o firme propósito de esquecer aquele sentimento tão doloroso. Amor não dói.  Amor cura. Às vezes pensava nisso.  E às vezes também, pensava no desejo que aflorava em seu corpo, cada vez que se lembrava do seu rosto e das suas palavras, das músicas que ele gostava e que ela passou a ouvir.  Podia controlar os sonhos quando estava acordada, mas quando dormia, era impossível.  Sentia as belas mãos em seu corpo esonhava que estavam vivendo um amor pleno e intenso.
Depois de cinco meses, onde chorou, sofreu, foi rejeitada e desprezada, percebeu que estava muito bem, sentia-se forte, não pensava tanto nele, achou que estava pronta para esquecer. Enganou-se!  Ainda sentia a falta dele, saudade de conversar. O amor era tão forte, que se deu conta que poderia sentir o cheiro dele, da sua pele, sem nunca ter estado com ele. Sabia que seus perfumados cabelos revoltos eram macios e sedosos, e parecia que suas mãos já haviam tocado.  Olhava para a fotografia e sonhava estar com ele. Estava cheia de dúvidas, se o que sentia por ele era amor ou uma obsessão doentia.
            Juliana tinha momentos reais, onde aceitava o convite de amigos para sair e se divertir.  Sair ela até saia, mas dizer que se divertiu, não poderia.  Mas eles faziam muitas perguntas e não pretendia contar o seu segredo para ninguém.  Iriam dizer que ela era maluca, que estava doente, ninguém se apaixona apenas por uma fotografia. Era seu segredo.  E ninguém ficaria sabendo que ela tinha uma vida dupla.
            Durante o dia ela trabalhava normalmente, se envolvia com o trabalho e afastava o seu pensamento do Nicholas.  Mas a noite, ela se jogava no mundo dele, ouvia as músicas que ele gostava, olhava as fotografias e fazia planos.  Sonhava em encontrar com ele, leva-lo para uma casinha isolada para viverem felizes.
            Juliana estava decidida a economizar cada centavo, e resolveu que não sairia mais com os amigos para evitar os gastos.  Não precisava de roupas, trabalhava em casa e compraria somente o estritamente necessário. Nas suas horas de folga começou a pesquisar locais mais ou menos isolados, dando preferência por praias, com casas simples, sem luxo algum.Tinha um sonho, e se esse sonho lhe dava forças para viver, ele seria alimentado todos os dias.  
            Ainda se perguntava o que ele tinha de tão especial, para que ela se envolvesse tão profundamente.  Nunca se encontraram pessoalmente, não tinha voz, não tinha cheiro, não tinha gosto.  Lembrou-se de quando se conheceram, do inicio da amizade, da empatia recíproca.  Recordou todas as conversas, olhou o que ainda tinha de mensagens, pois num momento de raiva havia excluído quase tudo.  A maneira de escrever era encantadora, como colocava as palavras numa frase, o sotaque se acentuava e tudo virava música.  O belo rosto de traços marcantes, os cabelos revoltos, a boca sedutora de sorriso ausente.  Não tinha nenhuma fotografia onde ele sorria.  Todas eram sérias, com aquela linda boca de lábios selados.
            Agora que a decisão havia sido tomada, estava se sentindo mais forte.  Nada nem ninguém iria afasta-la de seu objetivo.  Não sabia como faria mas tinha certeza que encontraria com Nicholas.  Poderia demorar algum tempo, precisaria ter paciência, mas estava se sentindo bem e tinha um sonho.  Tudo poderia acontecer, até esquecer-se dele, acabar o que sentia, da mesma maneira que começou, poderia terminar. Se para ser feliz precisava sonhar, com certeza sonharia muito, viveria de sonhos, até o dia em que pudesse realizar o sonho que tinha, de encontrar o seu amor!
           
Autora
Nell Morato



quinta-feira, 7 de agosto de 2014

FRAGMENTOS DE UM DESEJO



FRAGMENTOS DE UM DESEJO
                
            Parada em pé no meio da sala, Juliana Newman olhou à sua volta, a sala era confortável e muito limpa, visualizou mentalmente os outros cômodos de seu apartamento, e todos estavam vazios e pensou na solidão que sentia. O que levava uma mulher de 40 anos, bonita, lindos cabelos loiros num tom dourado, cobrindo seus ombros, com um corpo perfeito e bem-sucedida profissionalmente, a questionar sua vida? Estava infeliz e não sabia o que fazer. Recusava todos os convites para festas e jantares e ignorava os galanteios. Evitava reuniões de trabalho em restaurantes, gostava de resolver no escritório, justamente para não dar margem a nenhuma investida de algum cliente mais ousado.
            Ela vivia sozinha, seus pais eram falecidos e não tinha irmãos, seus únicos parentes, dois tios, irmãos de seu pai, residiam na Inglaterra e raramente se visitavam. Mas não era essa solidão que a perturbava, mas a vontade de ficar sozinha, de excluir todos de sua vida, de se isolar. Então se recolhia ao seu apartamento, o seu mundo, e hoje, sem saber o motivo, estava se sentindo muito sozinha e triste. Lembrou que podia tirar férias no escritório, e que dependia do juiz marcar a audiência no processo que defendia e se tudo corresse bem, em 30 dias poderia viajar, quem sabe encontraria as respostas.
            Animou-se com a ideia das férias e foi para seu quarto. Colocou a bolsa em cima de uma poltrona e foi separar uma roupa confortável para vestir depois do banho, um short preto e uma regata branca. Foi até um espelho para tirar brincos e pulseiras. Ficou olhando para seu corpo e começou a se despir, lentamente, deixou escorregar a saia, despiu a blusa, ficando de calcinha e sutiã, olhou atentamente para seu corpo perfeito. Gostava de alimentação saudável e ginástica aeróbica, também nadava três vezes por semana durante duas horas, estava pensando em trocar a ginástica por natação, que lhe dava mais prazer e a deixava mais relaxada, talvez pela exigência de maior esforço e energia.
            Passou as duas mãos pelo corpo suavemente, acariciando-se. E de repente sua fisionomia se transformou, olhou outra vez para o rosto e perguntou para seu reflexo no espelho:
 – De que adianta este corpo sensual e bonito, se não encontro ninguém que me agrade, ninguém para vir aqui me fazer gritar de prazer? Alguém que me jogue na cama e me ame loucamente? Não quero mais brincar sozinha ou com aquele vibrador frio, sem vida. Quero alguém, eu preciso de alguém. Depois do desabafo, sentou-se no chão ainda em frente ao espelho e continuou se analisando... Por fim levantou-se e seguiu para o banheiro. Após o relaxante banho, providenciou o jantar, e da sua geladeira abarrotada de frutas, verduras e legumes, tirou um peixe grelhado colocando para aquecer enquanto preparava uma salada. Ao término do jantar, ligou o notebook e decidiu passar o resto da noite passeando no Facebook e selecionar algumas músicas no Youtube.
            Respondeu alguns e-mails, trocou informações com amigos e aleatoriamente foi buscando páginas, saiu do Facebook e foi para o Youtube selecionar links musicais.
            De repente clicou errado e entrou um link que não fora selecionado, estava para sair quando sentiu um arrepio percorrer seu corpo e ficou hipnotizada ouvindo a música.
            A música era perturbadora e envolvente, e de repente uma voz suave cantando, falava de amor, de não ter um amor, de solidão, parecia mais um lamento do que uma canção, e uma imensa vontade de abraçar, confortar quem murmurava aquela solidão aterradora, fazendo-a esquecer da sua própria solidão. Ao término da música, procurou, mexeu e não encontrou o nome do compositor ou do cantor, então voltou a ouvir, e mais uma vez seu corpo ficou todo eriçado e impaciente e precisava saber o que era aquilo, de quem era a linda música, de quem era a voz sensual.
            Salvou o link e decidiu deixar para o dia seguinte, que era sábado e não precisaria trabalhar, então teria tempo para desvendar o mistério.
            Desligou o notebook e foi dormir. Tentou, mas não conseguia parar de pensar nas sensações que seu corpo sentiu ao ouvir aquela música.
            Pela manhã, após o café, voltou para o computador e se dedicou a uma busca, nada encontrando. Lembrou-se de um amigo que era DJ, o Rick e procurou por ele no Facebook e por sorte estava online. Enviou o link para ele, que quando escutou a voz, já sabia de quem se tratava:
– Este é Nicholas Ranagan, é americano, parece que vive em Los Angeles, não é profissional, compõe a alguns anos, mas diz que não faz música para ganhar dinheiro, faz porque ama música, é um cara esquisitão, veja uma matéria com ele na revista Rolling Stones de março. Veja na internet.
            Juliana se despediu do amigo e foi procurar o site da revista, buscando a edição de março passado. Estava impaciente e o computador parecia não andar. Encontrou a revista, e foi procurando a matéria, nem tinha destaque na capa, e ficou paralisada. Três fotografias, a maior delas mostrava um homem vestido com simplicidade, bermuda, chinelos e camiseta de surfista, pele bronzeada, cabelo castanho liso batendo no ombro, olhos azuis, a boca com os lábios entreabertos que fez com que ela passasse a língua pelos próprios lábios, seu corpo sentia uma força vindo daquele homem, era uma vontade de entrar na tela e ir lá beijar aquela boca... Ficou ofegante e quando percebeu estava se acariciando e empurrou a cadeira para trás, para tentar se recompor.
            Refeita do arrebatamento, tratou de ler a matéria para obter mais informações a respeito do homem encantador que a deixou maluca... Tinha 42 anos, era solteiro e vivia sozinho, sua família era do Colorado e não se davam muito bem, não mencionava o motivo. Havia recebido uma herança da avó, que lhe permitiu comprar uma casa e compor suas músicas, ocasionalmente vendia os direitos para alguma gravadora, mas não tinha interesse em comercializar, suas obras como ele chamava. Continuou lendo a matéria e se encantando cada vez mais com aquele homem, até que seus olhos se depararam com o link dele no Facebook, clicando em cima.
            Olhava avidamente enquanto a página abria e uma fotografia daquele monumento estampava a tela de seu notebook, a boca parecia mais convidativa. Passou a língua pelos lábios, estava ofegante. Eenviou uma solicitação de amizade. Ficou assustada como uma criança, com as duas mãos levantadas acima do teclado, com medo de alguma reação involuntária. Ele confirmou a amizade e entrou no chat. Juliana foi logo falando da música, para se distrair do que seu corpo sentia cada vez que olhava aquela pequena fotografia na caixa do chat. Nicholas, apesar de viver recluso era bem simpático e estava com vontade de conversar, e foi perguntando o que fazia, o que gostava, falando dele, de suas músicas, que morava em Venice Beach, que Los Angeles era muito agitada e queria mar e calmaria. Ela tremia cada vez que precisava digitar, tinha medo de escrever o que não devia e assustá-lo. Ficaram trocando informações por umas duas horas, marcando novo bate-papo para a noite. Ela desligou e continuou sentada de olhos fechados, curtindo as sensações em seu corpo. Levantou e correu para o banheiro abrindo o chuveiro na água fria e entrou embaixo ainda vestida, sentia seu corpo queimando. E começou a rir, rir alto como a muito tempo não fazia, estava se sentindo muito feliz.
            A tarde passou voando, ocupou-se com a casa, precisava fazer compras, mas não pretendia sair, e pediu por telefone. Jantou, deixou tudo limpo e pegando o notebook, foi para o sofá aguardar por ele. Pontualmente Nicholas entrou e os dois começaram a conversar, durante umas quatro horas. E assim, durante 20 dias, todos os dias eles se falavam, ele contava de sua vida e ela também. Juliana estava cada vez mais envolvida, e precisava se controlar, tinha ímpetos de entrar na tela do note e agarrar aquele homem que a deixara louca de desejo. E ele não falava nada, sempre gentil e educado. Juliana não aguentava mais, queria mais, queria ele e que ele também a quisesse, e uma noite, decidiu falar. Resolveu tomar coragem e falar o que sentia por ele.
            No horário marcado Nicholas entra falando da praia, ela impaciente, e ele dizia que apresentava suas músicas na rua, e adorava. E ela não aguentou mais e disse:
 – Não é nada, não é ninguém e fica me olhando com esses lindos olhos e suas músicas tocando, faz ideia do que provocou?
 – O que eu provoquei?
- Não vai nos levar a lugar algum... Ainda bem que estamos distantes... Eu... Eu desejo você!
 – Desejo? Eu provoquei isto?
 – Sim... E nunca mais vou falar a respeito é perturbador e não vou desejar o que não vou ter... O que não posso ter.
 – Você me deseja?
 – Você provocou um turbilhão...
 – Dentro de você?
 – Não, não dentro de mim.
 – Claro que foi dentro de você.
 – Não sabe nada de mim... O que eu penso e o que eu sinto.
 – O que sente?
 – Eu... O que eu sinto dentro de mim, neste momento, ou o que eu penso você nem faz ideia.
 – Você parece uma menina.
 – O que tem a ver uma menina, com o desejo de uma mulher por um homem que ela não conhece, não escuta sua voz, não sabe nada dele? Desejo pelo mundo sombrio e tempestuoso que tem dentro dele, que gostaria de mergulhar de corpo inteiro neste mistério.
 – Querida, não chore...
 – Não estou chorando... não tem lágrima, só tem pupila dilatada...
 – Pupila dilatada?
 – Viu, não sabe nada... Desejo intenso fazem as pupilas dilatarem.
 – Como você faz? Com o desejo que sente?
 – Sempre se pode dar um jeito... Mas a vontade de tocar, beijar, sentir a pele, esta não tem jeito. Desejo a gente precisa saciar.
– Puxa... Não sei o que dizer, estamos tão distantes... Você sente desejo.
 – Nicholas, eu sinto desejo por você, estou louca por você, não por sexo, quero você. Olha é melhor esquecer, nunca vai dar certo. Vou desligar agora. E Juliana arrasada desliga o note, deixando-o lá.
            Juliana, no dia seguinte, se arrepende de tudo que falou. Vai deixar uma mensagem e quando abre a caixa, encontra vários links de músicas para ela, são de Nicholas. Esquece tudo. Ele aparece e ela pede desculpas, só que agora está diferente, ele quer saber mais sobre o que ela sente, como sente, e de que forma. Juliana fica cada vez mais excitada, querendo entrar no computador ou se pudesse trazer ele para os seus braços e acaricia suas pernas sentindo arrepios pelo corpo e o desejo latejante em seus genitais, pedindo e implorando para aquele desejo ser saciado.
            Mas quando ele começa a falar palavras doces, sensuais, provocando-a, como se quisesse, a milhares de quilômetros e ao mesmo tempo tão perto, aplacar aquele desejo, ela se retrai, sente vergonha, e sabe que não poderá continuar escrevendo.
            Nicholas fica irritado. Diz que está cansado, que ela não sabe o que quer e por não usar o Skype para eles falarem podendo ver um ao outro. Acabam brigando mais uma vez.
            No dia seguinte, quando abre o note, tem uma mensagem pedindo desculpas, e uma música que fez para ela. Juliana fica encantada com aquele carinho e fazem as pazes.
            Nicholas está todo animado, mostrando fotografias da sua casa, próximo ao mar, disse que comprou com a herança da avó, que é pequena, simples, mas é dele. A casa parece um loft, um grande cômodo com quatro ambientes separados com móveis e uma peça que ela pensou ser o banheiro. Aconchegante e tudo arrumado, ele parecia ser meticuloso e detalhista. Juliana perguntou por que ele não gravava, não fazia como todos os compositores. Nicholas não gostou da pergunta, a música era especial e não venderia cópias por aí, que apresentava na praia, no calçadão, alguns compravam e estava tudo bem.
– Parece que você não gosta de como eu faço meu trabalho, é minha música e você poderia me ver tocar se quisesse.
            E desliga o chat. Juliana fica furiosa, não sabe o que fazer, ele não fala, não diz nada, não sabe o que ele sente e como vai fazer. Desespera-se e acaba chorando. E percebe que não é mais só desejo, está envolvida, está apaixonada, e parece que vai sufocar.
            Mais tarde, ela percebe que Nicholas voltou e vai falar com ele. Ficam discutindo, cada um os seus motivos. Juliana diz que a culpa é dela, não devia ter se envolvido e agora vai se buscar de volta.
 – Você acha?
 – Vou sim, tenho certeza. Nem conheço você.
 – Chega de brigas, não quero mais brigar com você.
 – Diga o que você quer que eu escreva?
 – O que sente.
 – O que eu sinto? Mais... Você quer mais?
 – Quero...
 – E como vou ficar se te der mais? Vais levar tudo de mim.
 – Querida, como desejar alguém desta maneira poder ser saudável?
 – É saudável desejar alguém... Quem sabe ir agora para esta casa junto ao mar e abraçar você? Ficar numa cama quentinha, abraçados.
 – Beijos molhados e carícias ardentes.
 – Chega! Quem sabe um dia eu poderei saciar esse desejo... Um dia... Talvez nem exista mais o desejo e curtir assim... Eu aqui e você aí... Queria colocar você em meus braços e apagar todo o nosso passado... Cobrir você de beijos e ver o sorriso em seus olhos.
 – Só se você viesse me visitar, aí nós poderíamos aplacar esse desejo.
 – Eu visitar você? Você quer que eu viaje para visitar você? Simples assim? Não vai me pedir mais nada?
 – Venha... Não vou pedir nada, eu quero saciar o seu desejo.
            Ela percebe que ele não falará, não vai falar o que ela quer ouvir, como vai largar tudo para viver com um artista de rua em Los Angeles?
            Que mora numa casa pequena na praia... Uma linda casa na praia, longe de tudo, com o homem que a leva a loucura sem tocá-la, que aquela dor que sente pelo corpo é fome, fome daquele corpo, daquele homem, e sabe que não poderá mais viver sem ele... Mas ele não fala, ele não pede. Visitar? Vou visitar e depois voltar? Antes me afogo no Pacífico. E a decisão foi tomada... Ela corre e liga para o escritório se demitindo, enquanto se veste para ir lá resolver as pendências e quando retorna, faz as malas, compra uma passagem só de ida para Los Angeles... Não vai avisar, fará uma surpresa. Tranca o apartamento, avisa o síndico que vai viajar e não sabe quando voltará.
            Chegando ao aeroporto em cima da hora, ainda bem que fez o check-in pela internet.
            Entra no avião e se acomoda, vai desligar o celular e percebe que tem uma mensagem do Nicolas, abre e sorri. Diz a mensagem: “Venha viver comigo... Eu amo você!”

Nell Morato
12.02.2014