terça-feira, 19 de julho de 2016

CORRUPÇÃO

CORRUPÇÃO, DE QUEM É A CULPA?

Corrupção, palavra que, ultimamente, anda frequente em todas as rodas de conversas, em todos os meios sociais. Todos reclamam que a corrupção está disseminada por todos os órgãos e serviços governamentais, o Brasil está mergulhado em um mar de atrocidades, onde corrupção parece ter contaminado tudo. O Congresso já nos mostrou em larga escala o que o ser humano, é capaz de fazer pela ganância e sede de poder...
Mas, onde começa a corrupção? Triste concluir que começa em casa.... Quando os pais tentam comprar a obediência dos filhos:  “ Se você se comportar direitinho Joãozinho, eu lhe compro esse presente! ” “Faça a tarefa escolar Mariazinha que mamãe lhe dá um chocolate! ” Quando os pais pagam aos filhos pequenos “favores” distorção acontece. Crescemos aprendendo que “é dando que se recebe”... Aprendemos com exemplos e a escola doméstica é a primeira que a vida nos apresenta.
Sim, a corrupção começa com a educação no lar, com os valores que aprendemos a considerar corretos, com os exemplos que recebemos dos nossos pais e damos aos nossos filhos e também recebe a influência da sociedade, principalmente da mídia.
Desde que o mundo é mundo, sempre houve aquele “jeitinho”, ou seja, troca de favores, influência, prestígios e favorecimento próprio. De algum tempo para cá, as coisas degeneraram de tal forma a ponto de fugir do controle. Lembro-me que, quando criança, os heróis que nos eram apresentados nos programas e seriados infantis eram sempre aqueles comprometidos com o bem, com o combate ao crime, com o sentimento altruísta de sacrifício em prol do outro. Havia exemplos de bom caráter, os meninos eram escoteiros, as meninas bandeirantes, aprendíamos noções de civilidade, de amor à pátria, respeito aos mais velhos, respeito aos professores e aos colegas. Ninguém achava bonito falar palavrão. Era elegante ser cavalheiro, ser gentil, ser romântico. As moças admiravam os rapazes românticos, os poetas.
No final da década de 1960, com a Guerra do Vietnam, o surgimento do movimento hippie, passou-se a contestar os valores morais. É certo que houve conquistas, no que se refere principalmente as conquistas femininas, a liberdade e igualdade sexual, ao fim de muitos comportamentos hipócritas, todavia, instituiu-se a figura do anti-herói e os valores positivos também passaram a ser contestados e negados. Herói passou a ser aquele que fosse mais esperto, que soubesse ludibriar os outros. No Brasil, essa figura foi muito bem representada pela personagem Beto Rockfeller, o anti-herói, aquele sujeito bonachão, malandro, de moral discutível e que passava a perna em todo mundo. Esse passou a ser o herói brasileiro. E, para tristeza nossa, o modelo se espalhou de tal forma que, atualmente, vivemos a maior crise moral de todos os tempos. A corrupção é uma das suas formas.
A corrupção caminha nos corredores dos hospitais, mas ignora os gemidos de dor.... Senta-se nos bancos quebrados das escolas, mas não chora a ausência do conhecimento negado.... Prova o alimento parco da mesa rústica, mas ignora o ronco do estômago mal alimentado.
Corrupção...O verme que se arrasta e se multiplica numa infinidade de pecados.
Sim. Pecados de desamor, de negligência vergonhosa, de desumanidade imensurável. Praga que se alastra e ceifa vidas, rouba sorrisos, encarcera esperança, mais do que as guerras. Bomba silenciosa, manuseada nas mesas ilustres do alto poder, contagiando o poder menor.  Veneno que entorpece os valores morais, humanos, religiosos...Veneno viciante, espalhado em doses diversas, em taças luxuosas ou xícaras simples...
Corrupção... Um mal que cega e torna insensível o coração do homem.
Um mal que seda a consciência e torna natural matar aos poucos. Um mal que blinda as portas da compaixão, da justiça, da bondade e do pudor.
A corrupção e um câncer social com metástases graves. É preciso repensar e estarmos vigilantes com nossa conduta moral e ética.
Será que nós, que reclamamos tanto da corrupção também não somos corruptos?
É preciso pensar bem antes de afirmarmos que sim.
Aquela inocente multa de trânsito que foi evitada pagando-se ao guarda, a compra de um lugar na fila, a concordância silenciosa com os desmandos das autoridades, a indiferença ante os fatos apresentados à exaustão revelando atos errados, a simples e intolerável briga entre irmãos sanada com uma boa mesada que a todos silencia, provam essa teoria.
O Congresso Nacional é o espelho do povo brasileiro. O corrupto de hoje já foi à criança de ontem embalada em berço estranho...
Queremos que nosso filhos e netos aprendam que roubar é errado, para tanto precisamos estar ao lado deles mostrando que o que fazem os ladrões do patrimônio público terá consequências...
Ao povo que paga com suor e sacrifício seus impostos, e vê todos os dias seu dinheiro ganho honestamente ser dividido com os ladrões de colarinho branco fica difícil essa explanação.
Lembremos que o Brasil somos nós, cidadãos. Enfim, a conduta social e o nosso comportamento diante dos fatos é que farão um Brasil mais justo e organizado. O povo precisa ser respeitado pelos seus governantes.
A situação atual é difícil, complicada, é todo um trabalho de reformulação de valores necessário para não naufragarmos. Mas, enquanto existir no mundo uma centelha de honestidade ainda haverá esperança e é nela que deveremos nos apegar.
Que voltemos a buscar em nossos heróis os que não olham para o próprio umbigo, mas para o bem de todos!
Texto a quatro mãos, pelas princesas do Castelo Literário Maria Luíza Faria,Cristiane Vilarinho,Suely Sette Vólia Loureiro do Amaral Lima







segunda-feira, 27 de junho de 2016

 A VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER

Violência contra a mulher.... Um tema recorrente que ultimamente ganhou as páginas dos principais jornais do país. A violência choca pela covardia, o poder da força bruta, desconsiderando a força que se hospeda na alma feminina e o carinho com que deveriam ser tratadas todas as mulheres.
Aqui falamos da violência que marca o corpo, mas é importante refletirmos sobre a violência surda que causa a tetraplegia da alma da mulher.
Onde começa a violência feminina? Até onde vai? Que aspectos toma? Será que esta se resume apenas à violência física?
Começa na História da Humanidade, no fato de ser a mulher fisicamente mais frágil que o homem. Até o século XV a Igreja discutia se a mulher teria alma! Por séculos, mulheres foram e são silenciadas pela arrogância, prepotência, desrespeito, pelo desamor da sociedade que enterrou o feminino da alma sob a lama do machismo insensível e cruel. Machismo vestido de “senhor”, “protetor”, “dono”, quando a menina é educada para obedecer sempre, para considerar-se inferior ao homem. 
Por muito tempo a mulher foi educada a pensar que o seu papel na sociedade era de ser apenas esposa e mãe. A rainha do lar e que deveria depender do seu marido e senhor, não lhe restando alternativa que não fosse acatar todas as suas ordens e desejos. Até o sexo para ela não deveria ser prazer, mas obrigação conjugal (mulher “séria” não deveria ter orgasmo, isso era coisa de prostituta, assim eram ensinadas as nossas avós e mães).
 Com o tempo, com o advento da pílula anticoncepcional, essa visão de mulher submissa foi perdendo espaço, embora ainda encontremos mulheres nessa condição, mas a mulher de hoje luta em assumir o seu papel na sociedade, como profissional, cidadã e política.
No Brasil, até meados 1988 a mulher era considerada civilmente incapaz, não tendo CPF, não podendo assinar nenhum contrato, assumir emprego público, sem a autorização do marido. Somente com a nova Constituição a mulher adquiriu direitos plenos de cidadã.
Porém, apesar de todas as conquistas sociais, a mulher ainda é vítima da violência do homem.  Vivemos em uma cultura, cruel e dominadora, de valores e conceitos deturpados. Somos vítimas de uma sociedade mesquinha, que não reconhece as vontades próprias. Em quase todas as culturas do mundo, o sexo feminino é comparado a um objeto. Ainda hoje as mulheres são agredidas, mutiladas e mortas pela mão violenta do homem que a considera como inferior, como coisa, propriedade, como um troféu e não ser humano dotado dos mesmos direitos que ele. E o pior é que, muitas vezes, a sociedade concorda com tal fato.  Em muitos casos de violência sexual, as vítimas são vistas pela sociedade como culpadas. Quantas vezes não ouvimos a frase: “mas ela provocou!” “Se estivesse em casa tal fato não teria acontecido!”,       “ Se não tivesse tal comportamento teria evitado”. E assim a sociedade absolve o agressor e condena a vítima.
Fala-se muito da violência física, porém importa falar na violência psicológica, moral, financeira que sofremos: a cantada grosseira e barata com que muitas vezes recebemos de forma desrespeitosa nas ruas, a agressão psicológica que vem através das palavras ásperas e duras, das ameaças recebidas dos maridos, namorados, companheiros, que veem a mulher como propriedade destes; a discriminação salarial, quando exercendo no trabalho uma mesma função, normalmente a mulher ganha 1/3 do que o seu colega masculino.
O silêncio é também violência. O silêncio gelado, protegido por olhares que chicoteiam, o silêncio amparado pelos lábios indiferentes, que assiste às torturas e julga que aquilo faz parte de outra cultura, de outro modo de viver. Quantas mulheres não têm vivido sob o jugo do silêncio! Quantas mulheres são desprotegidas, expulsas dos vagões dos sentimentos, dos afetos, do carinho e do respeito a que têm direito?! Ainda hoje presenciamos atos abomináveis e a sociedade se emudece, não grita como deveria fazer; não levanta a voz nos tribunais como deveria ser feito. Não ampara e nem protege. É fundamental reconhecer que a pior violência é se calar diante desse comportamento doentio e opressor. Vivemos no século XXI, caracterizado pela democracia, pela igualdade de direitos. Porém a violência contra a mulher ainda é tolerada!
Assim, assusta-nos a ainda mais a ignorância que permanece no ar, mesmo sabendo que a informação que se encontra ao alcance de todos, mesmo considerando o avanço tecnológico e as incríveis descobertas da Ciência, mesmo diante dos avanços sociais, ainda seguimos como no passado, a lei do mais forte imperando. Os coronéis que viam em suas mulheres a progenitora, a santa, que de tão santa era abusada, dominada, silenciada pelo medo, que ainda reina em muitos lares, em muitas sociedades nos dias atuais.
As mulheres são a vida, somos as geradoras da vida, amamos os homens, nossos maridos, filhos, irmãos, amigos, companheiros de jornada evolutiva. Tudo o que queremos é a igualdade de direitos, é um olhar mais carinhoso, é que a nossa fragilidade física seja vista, não como uma desvantagem, um ponto de inferioridade, mas como um encanto, algo que deve ser amado e respeitado. Pedimos carinho e respeito e que se preserve o nosso direito à vida, à individualidade. O nosso direito de cidadã, tão inteligente e produtiva quanto o homem, de ir e vir, de se portar e vestir como nos aprouver, de sermos respeitadas e que sejamos compreendidas e amadas. Porque, sinceramente, homens, sem nós, vocês não existiriam!
Texto a quatro mãos pelas Princesas do Castelo Literário – Cristiane Vilarinho, Maria Luíza Faria, Suely Sette e Vólia Loureiro.


quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

MENSAGEM DE NATAL



MENSAGEM DE NATAL DO CASTELO LITERÁRIO

Natal é tempo de paz nos corações! É o convite de Jesus ao amor, a deixar que, em cada coração, possa nascer a fraternidade, o respeito, a solidariedade.
Então é Natal! Jesus vem a nós e com ele a esperança de um mundo melhor... São tantas as coisas que pode esta data para nós significar! Que seja o Natal o momento precioso para a celebração infinita da vida, da vida abençoada, ofertada a cada nascer do Sol, reinventada em cada madrugada.... Que seja uma troca de afetos, de carinhos sem perguntas, de sorrisos de esperança.
Natal é sinônimo de ternura, de simplicidade, de se doar ao próximo. No entanto, de que adianta a mesa farta, se, ao sentarmo-nos à mesa, não nos lembramos do verdadeiro significado que essa data nos remete? Transformamos essa data em preciosas luzes cintilantes das árvores, em presentes caros, em mesas fartas e esquecemos o seu verdadeiro sentido: O aniversário do menino Jesus.
Esqueçamos do consumismo! Da correria para comprar os presentes e também da ansiedade em ganha-los! Que importa se em nossa casa não existe uma linda árvore de natal, nem uma rica ceia, nem tampouco presentes a distribuir... Se houver amor em seu coração, se houver união entre as pessoas, aí existirá o verdadeiro espírito de Natal. Cada um de nós pode ser um presépio vivo, que acolhe o menino Jesus no íntimo do próprio coração.
Sinta essa sintonia. Ornemos cada gesto de bem-querer sem preconceitos, não apenas por uma noite, , por um dia, mas por muito mais do que podemos imaginar... Ornemos de brilho duradouro a nossa alma... Brilho de gratidão e humanidade, brilho de gentileza e alegria pura. Reinventemos essa data especial cada vez que for necessário.... Renascer pode ser a cada instante, sempre que o coração suplicar. Celebremos sem contar as horas vindas, sem esperar o fim, sem contar os presentes, mas sendo presença eterna.
   Nesta noite de Natal, diante do infinito poder, roguemos por todos aqueles que choram e sofrem. Supliquemos por todos que buscam paz. Que haja esperança e oportunidade de um futuro melhor para todos. Que em todos os lares haja amor! Que possamos presentear as pessoas com sinceridade, amor, verdade e carinho. Que palavras de sabedoria fiquem tatuadas em nossos corações.
Embora muitas pessoas não acreditem na magia do Natal, ela existe. Está no ar, em uma atmosfera mais receptiva ao amor, ao perdão, à ternura para com o próximo, tudo depende de nós. Precisamos despertar a nossa alma para reencontrar a velha magia. Aproveitemos para retirar as mágoas que escurecem a nossa alma e dificulta a nossa evolução. Que possamos abrir os nossos corações e sonhar, desejar, sorrir e amar. E que a magia do Natal ilumine os nossos corações.
Nós, administradoras do Castelo Literário, princesas da Literatura, defensoras da Literatura Nacional, aqui nos reunimos com o ensejo de fazer chegar a cada coração, a nossa gratidão por tantas e tantas conquistas neste ano que se finda...  Estivemos juntos, trabalhamos, fazendo com amor cada etapa desse laborioso e gratificante ofício. Fizemos uma linda colcha de retalhos, de beleza em poemas, livros, eventos marcantes que permearam de vida os salões do nosso castelo.
A todos que lado a lado caminharam conosco nessa jornada, o nosso muito obrigada!
Que nesse Natal possamos receber do menino Jesus uma boa dose de inspiração, aliada ao amor, para fazer de 2018 um ano de mais alegria e paz!
Nada mais precisamos pedir, conhecemos o poder do verso transformador, conhecemos a força explícita no verso de protesto e sabemos com isso que tudo pode ser mudado, com a força da nossa voz em uníssono...
Que todos os dias sejam Natal para todos nós!
Feliz Natal, feliz ano que desponta com seus dias desconhecidos, mas prometidos de Fé. É só acreditar.... Tudo vem e tudo passa, mas sempre permanece o que é de Luz!
(Texto a quatro mãos pelas escritoras: Cristiane Vilarinho, Maria Luíza Faria, Suely Sette e Vólia Loureiro)



quarta-feira, 16 de setembro de 2015

PENSAMENTOS A QUATRO MÃOS - EDUCAÇÃO, CAMINHO PARA A CIDADANIA




EDUCAÇÃO CAMINHO DA CIDADANIA

O que significa educar? A quem pertence o papel de educar? Qual a situação da educação no nosso país?

Educar é estimular as capacidades físicas, cognitivas e morais de um indivíduo de forma a integrá-lo plenamente na sociedade a que pertence. É o caminho que leva o indivíduo à conquista da sua cidadania e leva também a sociedade ao progresso material e moral.

Não é novidade alguma os graves problemas da Educação no Brasil. É como bater em uma tecla gasta. Lemos, ouvimos, falamos, “palpitamos”, nos surpreendemos de vez em quando, nos exaltamos vez por outra, e esperamos sempre.

Quando falamos da Educação como formação, como profissão, esbarramos em todas as adversidades que se apresentam em um país onde ela é deixada de lado. É revoltante ouvir autoridades falando do tema sem nenhum compromisso e nem conhecimento da verdade, e esta está presente no dia a dia dos professores, nas salas de aula.

Falta de condições físicas, no que diz respeito às instalações apropriadas (há escolas no interior do país, que não têm sequer cadeiras), despreparo dos professores e funcionários,  falta de políticas sociais sérias e compromissadas, que incentivem o interesse do aluno a permanecer na escola, que o faça ter prazer no estudo, desvalorização da carreira do Magistério ( baixos salários, falta de planos de carreira, falta de cursos de reciclagem), distanciamento da família com as atividades da escola, são alguns entre os muitos problemas vividos pela Educação no Brasil.

Dizem por aí: - “Quem quer ser rico não vá ser professor...” É bem verdade que ser professor é ser um vocacionado, pois, se assim não fosse, as escolas há muito não existiriam. Todavia, é preciso que haja respeito. Como exercer a vocação em escolas sucateadas? Como exercer a vocação com projetos criados de cima para baixo?

Toda a ilusão propagada país afora está longe da realidade vivenciada nos recantos mais humildes. Uma pequena parcela tem acesso ao que verdadeiramente podemos definir como “boa educação”. A parcela restante sobrevive do empenho e do esforço dos que ainda acreditam que é possível sobreviver, alcançar algo grandioso, subir ao pódio uma vez na vida. Professores de hoje são heróis anônimos, lutando contra gigantes armados, programados para eliminá-los... Escolas sem segurança, alunos revoltados e desinteressados, salários indignos, deveres sem direitos, eis a vocação.
Programas e mais programas, estratégias, esforço dobrado, amor, vocação, eis as armas de que dispõem os professores hodiernos.

Por outro lado, indagamos: A quem pertence o papel de educar? Falamos aqui da educação que forma o caráter, que agrega valores, ensina como ser gente em todos os lugares, sem precisar de manual de instrução para saber se comportar. Referimo-nos à educação moral, que está cada vez mais escassa.

Há algumas décadas, tinha-se como certo que aos pais era dada a tarefa da educação moral de seus filhos e aos professores era legada a tarefa da instrução, da educação do intelecto. Hoje em dia, porém, é cada vez mais comum os pais relegarem à tarefa da educação moral de seus filhos à escola. Em outros tempos, os professores instruíam e passavam seus conhecimentos, hoje, assumem também a tarefa de educar e disciplinar crianças que vêm de seus lares.

Lembramos que a Educação é compromisso de todos. A base da educação moral é dever da família e não da escola. Toda construção requer um alicerce bem feito, o lar, a escola e a sociedade devem se dar as mãos na busca da Educação ideal, formadora de cidadãos.
A tecnologia ensina muita coisa, facilita o conhecimento, mas não forma a personalidade. Esta é formada nos primeiros anos de vida escolar e familiar.
Despertar na criança o olhar que já é repleto de curiosidade, deixar exalar essa curiosidade. Incentivar a busca pelas respostas é o caminho.

A nossa realidade requer uma escola que tenha sua proposta de Educação expressa em um projeto funcional abrangente, que reflita às expectativas de toda comunidade. 
A tarefa da Educação deve envolver a todos, para que se construa uma escola criativa, crítica, democrática e de qualidade. 
Os pais devem ter a consciência da importância do seu papel na formação moral de seus filhos, compreendendo que essa tarefa se dá no dia a dia, através do exemplo, da disciplina e do amor. 

A Sociedade deve tomar consciência de que, sem Educação, não existe progresso, nem liberdade.
As crianças e os jovens de hoje serão os pais, os professores, os cientistas, os gênios do amanhã e este chega logo. Que não precisemos chorar mais tarde os gênios perdidos, o futuro promissor abortado.

“Quem abre uma escola fecha uma prisão. ”

                                                                                                                 Victor Hugo

Texto a quatro mãos pelas escritoras Cristiane Vilarinho, Maria Luíza Faria, Suely Sette e Vólia Loureiro.

sexta-feira, 7 de agosto de 2015

PENSAMENTOS A QUATRO MÃOS



ERRAR É HUMANO

Errar é humano! Quantas e quantas vezes já ouvimos essa frase? E quantas não foram as vezes que a repetimos, justificando os nossos próprios erros, como se fosse um álibi, a súplica pelo perdão, depois do pecado? Errar é inerente a nossa condição humana, faz parte da vida cometermos erros e quem nunca errou que se manifeste!
Só aprende a andar quem primeiro aprende a cair, eis uma verdade! Nós evolvemos pelo método da tentativa e toda tentativa está sujeita a erros. Não há no mundo alguém que nunca tenha errado. Erramos sempre, erraremos enquanto vivermos. Talvez, seja exatamente o fato de cometermos falhas o que nos torna mais próximos uns dos outros. Sermos todos passíveis de fraquezas, deslizes, pecados, nos iguala a quem se diferencia por títulos, conhecimentos, posição social e tantas outras coisas.
Erramos inconscientemente; às vezes, até por amor! Coisa muito comum de acontecer entre pais e filhos, por exemplo. Pensamos no bem dos nossos filhos e, em nome desse bem querer, muitas vezes, erramos.
Certamente que alguns erros são aceitáveis, enquanto outros denotam falta de maturidade e caráter. Existem erros que ultrapassam os limites da sanidade tão bem-vinda. Para quem se dá o direito de julgar, matar, fazer da vingança uma meta, para esses, acreditamos não haver salvação possível. Errar é humano, desde que o erro não seja intencional, desde que o que nos impila seja a vontade de acertar e o erro seja apenas um passo mal calculado na nossa caminhada. É preciso que tenhamos a consciência de que, uma vez reconhecendo o erro, não tornemos a repeti-lo, pois aí já passa a ser proposital, já passa a ter dolo e as consequências são sempre más. Então há erros e erros!
Errar faz parte da nossa trajetória de crescimento, mas só é perdoável quando não existe a intenção, ou quando o erro é cometido em um momento de privação dos sentidos, sob violenta emoção ou sob um arrastamento aos nossos instintos mais primários.
Errar é humano e perdoável, é correto pensar com indulgência e compreensão: todos têm o direito de errar. Porém, temos o dever de assumir as responsabilidades pelos nossos atos. O conflito diante do erro está na aceitação, no quanto o erro afeta, na compreensão por parte do outro, porque perdoar exige mais do que aceitar. Exige libertação, humildade, tempo. Exige doação. E não é fácil, porque um erro pode levar a dores profundas, mágoas, tristezas, laços desfeitos, rupturas irreversíveis. Mais humano do que errar é ter a dignidade de se curvar e reconhecer a fraqueza; se reerguer e tentar não permanecer no mal, ou não repeti-lo.Acertar sempre é muito difícil, todavia, caminharmos buscando essa perfeição é um dever para com o amor, a mola mestra da vida. Perdoar quem conscientemente busca a redenção é altruísmo e grandeza de alma.
Um ponto importante a considerar é com relação à culpa. Ficar se lamentando dos erros cometidos é algo totalmente improdutivo e não beneficia a ninguém. Se temos consciência de que erramos, o que temos a fazer é procurar consertar o erro, ou pelo menos, minorar-lhes as conseqüências e seguir adiante, tendo o cuidado de não mais cometê-lo. A vida sempre nos permite e oportuniza com possibilidades de corrigir os passos negativos. Então, que procuremos valorizar essas oportunidades que, muitas vezes, surgem em forma de bons conselhos, estes  nos direcionam ao conhecimento. Que saibamos manter o foco e procuremos fazer tudo do modo mais correto, buscando sempre o melhor dentro de nós, para que a nossa caminhada seja bela e que o amor emule sempre os nossos passos, apesar das quedas no percurso.

“Errar é humano, perdoar é preciso, e correr atrás daquilo que realmente queremos é uma obrigação. Viva, ame, pense, erre, caia, levante. E depois do erro, corra atrás de refazer o seu acerto, faça tudo o que desejar fazer, diga te amo sem medo de não ouvir isso depois, aproveite a vida, nunca se sabe o dia de amanhã.”
Bob Marley


(Texto a quatro mãos pelas escritoras Cristiane Vilarinho, Maria Luíza Faria, Suely Sette e Vólia Loureiro)

quarta-feira, 22 de julho de 2015

PENSAMENTOS A QUATRO MÃOS - RECOMEÇAR


RECOMEÇOS

Recomeçar... a arte de tentar de novo, refazer depois de uma interrupção. “Tente outra vez”... “Recomece”, é o que ouvimos, sempre que colocamos um ponto final no que não deu certo.
Recomeçar é bem mais que uma simples palavra ou suas definições e sinônimos, requer coragem e uma boa dose de determinação. É dar-se uma chance de fazer melhor. Rever conceitos, atitudes, reestruturar nosso caminho, endireitando as trilhas do passado, antes equivocadas, implica em renúncia e renunciar, por vezes, dói.
No primeiro momento, não conseguimos sair do lugar. E agora? Abandonar a zona de conforto para tentar outro caminho? Mirar um horizonte incerto? O novo nos assusta. O tentar outra vez é um passo inseguro. Novas possibilidades parecem lindas nos contos, nos sonhos, nas novelas com finais previsíveis. Mas, e na realidade crua, sem bola de cristal? Não é fácil. E requer uma coragem maior do que pensamos ter. Levantar, arregaçar as mangas, vestir-se de confiança e acreditar em nós mesmos. Recomeçamos um pouco a cada dia, pela singularidade com que é tecido cada amanhecer.... Fazer diferente, termos a força para encerrarmos um ciclo que não deu certo e partir, sem medo, rumo ao novo que se apresenta é o que importa. Dar passos firmes, e, se necessário, voar sobre os desafios, não é tarefa muito fácil, mas é possível.
A vida é cheia de ciclos: o dia é sucedido pela noite e esta terá um novo dia como sucessão. As estações do ano se sucedem e retornam no tempo certo. Tudo se renova! Nós também precisamos de renovação.... Abrir as janelas e deixar que os ventos da renovação penetrem os nossos medos e preconceitos; tirar o mofo dos valores ultrapassados, evoluir!
Mas é preciso coragem e desapego. É preciso saber perder, para poder ganhar. A vida se renova a cada dia, e precisamos estar atentos, aproveitando toda essa energia. As oportunidades, são, de fato, a maior graça do que possuímos diante de um recomeço. Porém, vivemos em função do momento, que, muitas vezes, nos paralisa pelo medo, pela incerteza do novo. E nesse processo de renovação, muitas coisas temos que deixar pelo caminho: pessoas, valores espirituais, coisas materiais. Às vezes, precisamos sofrer para aprender e evoluir, não existe bônus sem ônus.
Insucessos devem, antes, serem motivadores, por mais que nos decepcionem a princípio. Erguer-se do pó, renascer mais fortes é próprio dos corajosos, que saindo da zona de conforto, lançam-se em “mares nunca dantes navegados” (Camões). Mas, lá no fundo do túnel, existe a luz, o desejo de continuar a caminhada. Porque recomeçar é luz que aquece a nossa alma, é chama viva do milagre da vida, tão necessária para não apagar o milagre da fé e não nos deixar sucumbir. De um mundo mergulhado em trevas, a luz, mesmo distante, aponta caminhos. E essa luz habitará o nosso interior, se assim a cultivarmos com sabedoria. Pois, aproveitar a dádiva da vida, é vivermos em equilíbrio, firmes no propósito do bem viver. É preciso fé para seguir em frente e compreender que cada coisa tem seu tempo no tempo de Deus.
Aprimoramento pessoal, crescimento individual é o que liberta a alma cheia de enganos.... Começar de novo.... Se há um sonho, um imenso desejo, se há bastante fé e um sorriso desenhado na alma, é possível, sim!

“Recomeça.... Se puderes, sem angústia e sem pressa e os passos que deres, nesse caminho duro do futuro, dá-os em liberdade, enquanto não alcances, não descanses, de nenhum fruto queiras só a metade.”
Miguel Torga


quarta-feira, 27 de maio de 2015

QUEM CONTA UM CONTO...CONTA A CINCO MÃOS - GANÂNCIA





GANÂNCIA

Ganância é sempre querer mais, além da necessidade, sem se importar se tal querer possa prejudicar alguém ou fazer falta ao outro. O apego excessivo e descontrolado por bens materiais, poder, fama, sucesso, é considerado um dos sete pecados capitais, pois o ganancioso dá mais valor aquilo que pensa possuir do que a sua paz interior.
A ganância é um dos tentáculos do egoísmo e prejudica, sobremaneira, àquele que sofre desse mal moral. Aliada à inveja, esse vício causa sofrimento, pois traz a eterna insatisfação.
É natural e até aceitável que o ser humano tenha em meta progredir na vida. Nada há de errado em querermos bens, melhor qualidade de vida, mais conforto para as nossas famílias. Tudo isso é saudável e deve mover o homem, desde que bem dosado. Porém, a ganância em acumular riquezas , esquecendo de viver é um mal lamentável e doentio.
A pessoa gananciosa tem um apetite voraz pelo ganho. Deseja ter, possuir cada vez mais, não importando os meios utilizados para atingir os seus objetivos, sejam eles lícitos ou não.
Não se trata apenas de cobiçar o dinheiro alheio, o braço poderoso da ganância se estende pelo poder, pela fama, por verdadeiras fortunas em terras, gado, pedras preciosas, ações, etc.
Às vezes, a ambição do ganancioso é obsessiva, não envolvendo nenhum valor, mas a cobiça pela fama conquistada pelo outro, quando se trata de alguma celebridade ou um cargo de grande prestígio em uma grande corporação. Não interessa ao ganancioso o prejuízo que irá provocar para as pessoas ou para as empresas, provavelmente dirá que os fins justificam os meios.  Aqui falamos de poder, fama, fortunas imensas, mas não é só no meio corporativo ou na vida das celebridades e milionários que a ganância  se manifesta. No dia a dia de pessoas simples, em nosso cotidiano, temos os gananciosos de plantão.
É fato que, desde todos os tempos, o homem tem o seu caráter corrompido pela ganância, para comprovarmos isso, basta observar a história da Humanidade. Em todas as épocas, percebe-se que a ganância sempre dominou o ser humano e, até hoje , este é corrompido pelo desejo desenfreado de dinheiro e poder.
Verdadeiras atrocidades são cometidas, em nome da ganância, afetando muitas vidas indefesas ante a fúria que transforma homens em bestas humanas.
A desigualdade social comprova esses excessos humanos. Completude, contentamento, mentes equilibradas parecem inexistirem nesse cenário de horrores em que se transformou o mundo.
Estamos cercados pela ganância de poder, de bens materiais, status; mede-se o valor da pessoa pelo que ela tem. Com isso, a ganância atropela os valores morais, corrompe, seduz, desnorteia. E os valores que tornam o ser mais humano vão sendo esquecidos.
 A paz não mora no coração do ganancioso. Quem consegue ser feliz dessa forma? Este pensa ser feliz, mas, na verdade, está se enganando, sobretudo, quando só vê a ambição à sua frente e o desejo de obter sempre mais e mais. Esquecendo-se de viver, de ter momentos de paz e lazer com sua família, amigos... Se pensasse que a felicidade não se encontra no ter, mas, sim, no ser, o ganancioso muitos males para si evitaria.
Por que não ter ganância para oferecer mais alegria a quem convive conosco? Para fazer um trabalho de qualidade, generoso, sem ansiar pelas recompensas materiais? Por que tudo deve ter um bônus? Há ganância pelos melhores lugares, desde um simples banco de escola até a mais elevada posição no emprego, mas não há quando se trata de solidariedade, de fazer o bem, de oferecer conforto ao coração. Estamos num tempo de “cada um que corra atrás”. E a corrida é disputada; os mais frágeis são atropelados. A ganância atropela a sensibilidade, esquece a simplicidade e desconhece a humildade e a gratidão.
A beleza da vida não está no ouro que brilha nas joias e atraem os ladrões. Mas, na joia da amizade verdadeira, que aquece os corações; na paz do lar humilde, onde o amor e o respeito impera, na sensibilidade de apreciar as pequenas belezas da vida, como o canto de um pássaro, o colorido da borboleta que beija a flor do campo, ou o sorriso de uma criança a brincar.
Ganância... Não traz paz, nem felicidade. Simplicidade é o melhor caminho.
(Texto a cinco mãos pelas escritoras Cristiane Vilarinho, Maria Luíza Faria, Nell Morato, Suely Sette e Vólia Loureiro)


quarta-feira, 20 de maio de 2015

QUEM CONTA UM CONTO...CONTA A CINCO MÃOS - MUDAR É PRECISO



MUDANÇAS

A vida é feita de mudanças, elas fazem parte do nosso crescimento como ser humano. Tão necessárias são as mudanças! Mesmo as mais simples... Mudar uma poltrona de lugar para não termos que olhar sempre a mesma parede. Mudar a cortina, porque o pó acumulado resiste à limpeza de todos os dias. Mudar as cores das roupas, para colocar um pouco de graça na vida. Enfim, mudar, porque é necessário certos recomeços, trocar os ângulos, buscar outras frestas e encontrar mais sol. Algumas mudanças são fáceis e fazemo-las com entusiasmo, outras, acontecem à nossa revelia e demoramos a nos adaptar a elas, mas sempre sobrevivemos e aprendemos com elas.
Mudanças geram estranheza e, muitas vezes, inseguranças. Acostumados com a rotina, algumas vezes, não conseguimos pensar em mudança, o que é um erro, pois mudar para melhor e buscar novas oportunidades deveria ser obrigação. Tudo o que nos afasta da rotina pode parecer assustador no começo, mas é errônea  essa maneira de pensar.
 Há pessoas que são avessas às mudanças, prefeririam que a vida permanecesse sempre a mesma, resistem às mudanças  pelo conforto de tudo estar (supostamente)organizado, ainda que esta ordem fuja de sua completude, resistem pelo medo de não ser suficientemente fortes para inventar outra história e fazer dela um capítulo mais verdadeiro; resistem até que lhes falte o ar da vida no espaço onde viver é apenas seguir um dia após o outro.
Outras pessoas são eternos mutantes, verdadeiros turistas da vida, têm o espírito aventureiro, irrequietos, verdadeiros Kamikazes atiram-se de cabeça em aventuras que podem ser positivas e em outras vezes, precipitadas ou mal conduzidas , podem levar ao insucesso.
 Mudança é sempre um desafio. Um passo incerto , às vezes, mas que traz o equilíbrio da razão, desperta o gosto pela renovação, desvenda o encanto que os move em direção à tranquilidade. A mudança nos permite a sensação de co-criação, é como estar dançando em um universo só nosso, cheio de amplas possibilidades. Mudar, transformar, redesenhar a vida é dever para conosco mesmo e para com o mundo que nos cerca.
Mudar é importante e necessário, porém, é importante perceber que tudo tem o seu tempo certo de acontecer. Não adianta tentar mudar sem que se tenha maturidade suficiente para suportar a mudança. É necessário que , no processo de mudança, deixemos algumas raízes, que tenhamos parâmetros, modelos. Importa vivermos o hoje observando as experiências do passado e também visando às construções do futuro. O aprimoramento da alma, a aprendizagem precisa passar pelo processo de mudança. Mudar é bom e importante, mas a vida também precisa de portos seguros.

“Toda reforma interior e toda mudança para melhor dependem exclusivamente da aplicação do nosso próprio esforço.”  Immanuel Kant.

(crônica a cinco mãos pelas escritoras: Cristiane Vilarinho, Maria Luíza Faria, Nell Morato, Suely Sette e Vólia Loureiro)


segunda-feira, 4 de maio de 2015

QUEM CONTA UM CONTO...CONTA A CINCO MÃOS - COM AÇÚCAR E COM AFETO




COM AÇÚCAR E COM AFETO

Afeto é partilha de amor. É a materialização do amor que existe na alma. Sentimento de inclinação de alguém para o outro, expresso em gestos, por vezes tão sutis, que passam despercebidos. Afeto é a sutileza que se traduz em palavras doces, gestos amorosos e em todo amor que por ele se revela.
O afeto é fundamental para o bom funcionamento da relação entre as pessoas. Graças a ele, as pessoas conseguem criar laços de amizade, não apenas entre si, mas até com os seus animais de estimação. As relações e laços criados não se fundamentam apenas nos sentimentos, mas, também, em atitudes de afeto que precisam ser cultivadas para que se tenham relacionamentos prósperos.
O abraço é gratuito. Dispensa justificativas, palavras, pedidos. Mas, tem o dom de amenizar a angústia, a dor. Acolhe, é aconchego, é bálsamo e ajuda a curar... A simples mensagem em um pedaço de papel faz o coração dar um salto de alegria. Não há exageros, nada de frases elaboradas. Nenhum bordado na folha comum, mas há sentimento evaporando das letras. O sorriso cruza a rua e faz o rosto ganhar contornos de alegria. A alma curva-se, grata. Um simples sorriso, sem preço, sem custos. Todavia, capaz de atravessar o mundo e espalhar sementes invisíveis de esperança. As mãos se tocam, os passos se cruzam, os olhares enviam mensagens de luz e amparo... Isso é afeto.
“Bem-aventurados os mansos, porque possuirão a Terra”, afirmou Jesus. Muita gente pode desacreditar dessa afirmativa ao observar a violência do mundo hodierno. As pessoas estão, a cada dia, mais desconfiadas e prevenidas contra o outro, porque é grande a iniquidade. Porém, nunca o ser humano precisou tanto de afeto. O mundo anda carente dessa virtude. Andando por aí é fácil vermos cenas de descontrole emocional, agressões desumanas que afastam da gente a divindade do afeto. Essa carência, juntamente com o medo de se dar, de se fazer conhecer, faz com que as pessoas procurem o afeto no mundo virtual; os sites de relacionamento estão aí, cheios de pessoas, cada vez mais conectadas, portando os seus celulares e tablets, buscando suprir no mundo virtual a sua carência real.  Isso é bom e importante até certo ponto, todavia é preciso que não se troque o mundo real pelo mundo virtual. É preciso que nos abramos para o afeto; que saibamos dar e receber amor.
O mundo suplica por afeto. De joelhos, procura entre as fendas da arrogância, da frieza, da ganância, da negligência, do desconsolo, da crueldade. Implora aos ouvidos surdos do poder, do dinheiro desumano, da escassez de humildade e de fé.
Por ser feito da doçura de um abraço, da ternura de um olhar, ou da gratuidade de um coração generoso, o afeto é doce como mel, açucarado pela bondade que deveria ser o tempero da vida.
O amor é a razão da vida. A Humanidade está cansada de sofrer os efeitos do egoísmo e da violência e precisa descobrir que o segredo da felicidade está na mansuetude e na afetuosidade com que tratar o próximo. Isso haverá de acontecer um dia, e nós podemos fazer a nossa parte. O afeto é, na verdade, a fala mansa e suave da criança, ou do ancião que já voltou à velha infância. É também a gratuidade da ação dos jovens engajados no bem do próximo. Afeto não tem idade, tem, sim, a necessidade de ser mais doado e nós podemos fazer a nossa parte, acreditando no amor, dando uma chance à paz e agindo sempre, “com açúcar e com afeto”.

“Que continue sendo doce o seu modo de demonstrar afeto, o seu jeito, seus olhares, seus receios... Que doce seja uma ausência do nosso medo, o seu abraço e a maneira como segura minha mão. Que seja doce, que sejamos doces, e seremos, eu sei...”
Caio Fernando Abreu


(Texto a cinco mãos pelas escritoras: Cristiane Vilarinho, Maria Luíza Faria, Nell Morato, Suely Sette e Vólia Loureiro)

segunda-feira, 27 de abril de 2015

QUEM CONTA UM CONTO... CONTA A CINCO MÃOS - VÍCIOS E MANIAS



VÍCIOS E MANIAS

Quando falamos de vícios e manias sempre nos lembramos daqueles hábitos repetitivos ou defeitos, alguns inocentes, outros, prejudiciais. Alguns denotam a inferioridade moral da pessoa.
Os vícios, normalmente, são associados à má conduta. São prejudiciais, sejam quais forem, pois aprisionam. Passam a reger a vontade humana e o viciado se torna refém do vício. Álcool, fumo, drogas, jogo, são os sinônimos de vícios. Tudo o que gera excesso e existe constância é uma forma de prisão. Ninguém, porém, lembra-se de associar o gosto extremo por uma coisa boa como vício. Por exemplo, o gosto por futebol, música, livros, etc. Geralmente, coisas boas, são associadas à paixão. Se alguém é um leitor compulsivo, dizem que esse alguém é “apaixonado por leitura”, nunca que tem o “vício da leitura”.
Pessoas adquirem as mais variadas e inimagináveis manias... Pequenos vícios, grandes manias, temos de tudo um pouco. São aqueles pequenos hábitos, coisas que fazemos quase sem percebermos, quase que de forma automática e que não conseguimos evitar fazer.
Moralmente falando, o ser humano deve lutar contra os vícios, libertando-se destes, tornamo-nos mais senhores de nós mesmos, pois os vícios nos tornam escravos.
Mania de limpeza, de roer as unhas, de lavar as mãos constantemente... Mania de mexer no cabelo, fazer anéis ou enrolar e puxar os fios, mania de assistir aos mesmos filmes diversas vezes e chorar todas as vezes que assiste, trejeitos faciais, mania de entrar e sair sempre pela mesma porta, de começar a andar dando o primeiro passo sempre com o mesmo pé (geralmente o direito), falar sozinha... São tantas manias!
Normalmente, pequenos vícios e manias fazem parte de nossa personalidade. Algumas vezes são considerados chatos, inconvenientes ou também podem ser considerados charmosos. Tudo depende do ponto de vista.
Manias são mais leves, são, a princípio, pequenos hábitos ou costumes que parecem inofensivos, e geralmente o são, porém, algumas vezes, as manias viram vícios, passam a dominar e escravizar a vida da pessoa e aí vira doença.
As manias podem dificultar a convivência com os outros, pois algumas são irritantes e chegam a ser patológicas. Aliás, manias podem significar doença: O TOC.
O TOC ou Transtorno Obsessivo Compulsivo é um transtorno mental que deve ser tratado, pois traz muitos problemas a quem o tem.  Chega a paralisar a vida, podendo levar posteriormente a quadros graves de depressão.
Algumas manias são engraçadas, mas, para quem as tem, pode ser algo muito desagradável. O fato é que toda pessoa tem as suas idiossincrasias e todos nós devemos respeitar; tentar conviver e, quando possível e necessário, ajudar a quem sofre com os vícios e manias a se curar deles.


“Cada um de nós é um universo...” Para adentrar no universo interno de qualquer ser humano, é preciso desenvolver a sabedoria... -  Raul Seixas.

(Texto a cinco mãos pelas escritoras Cristiane Vilarinho, Maria Luíza Faria, Nell Morato, Suely Sette, Vólia Loureiro)

segunda-feira, 20 de abril de 2015

QUEM CONTA UM CONTO... CONTA A CINCO MÃOS - CORRUPÇÃO O CRIME SEM FACE




CORRUPÇÃO O CRIME SEM FACE

Corrupção significa adulteração das características de alguma coisa, de algo. É uma demonstração do egoísmo humano e da falta de educação moral da sociedade, pois o corrupto se coloca acima da lei e das pessoas, considerando que seus direitos preponderam sobre o dos demais e que não tem deveres a cumprir tal qual os demais.
Câncer social , contagioso e com alto poder de destruição, desde que o mundo é mundo, sempre houve aquele “jeitinho”, ou seja, troca de favores, influência, prestígio e favorecimento próprio.
A tentação de corromper e de aceitar corrupção é algo que está intrínseco em nossa personalidade. Sempre procuramos o caminho mais fácil, a porta larga, e, por conta disso, corrompemos e somos corrompidos.
Começa cedo, dentro do lar, desde pequenos temos ligação com a corrupção. Faça-me isso que te dou aquilo... Genitores permitem a barganha entre irmãos.  Como pais, muitas vezes, oferecemos prêmios ou facilidades aos nossos filhos, mediante tal ou qual comportamento ou ação que estes realizem.  Com esse tipo de comportamento ensinamos aos filhos a desprezar o dever e observar o  “é dando que se recebe”, premissa básica da corrupção. É uma prática encravada na nossa história e de difícil combate. A falta de ética e integridade moral promove a sua propagação.
Lendo e relendo a história do nosso país, encontramos a corrupção em cada capítulo, nos mais diversos setores da política e em todo serviço público em parceria com o privado. Nos últimos tempos, não há um dia sequer que, ao ligarmos a TV ou abrirmos um jornal, não nos  deparemos com uma notícia relacionada à corrupção no Brasil. Culpam-se os políticos e com as razões expostas pelas CPIs... Não dá para ser diferente. Porém, importa lembrarmos que o corrupto nasce no meio do povo que aceita pequenos favores em troca de coisas que julgam inofensivas.  O mais triste é constatarmos que a corrupção tornou-se uma cultura: A chamada “Lei de Gérson”, aquela que diz que “brasileiro deve levar vantagem em tudo”, no governo, em qualquer setor público, se estendendo a qualquer repartição onde o acesso ao dinheiro, ao poder, facilita essa doença. Sim, porque esta se tornou uma doença quase incurável, contagiosa, sem distinção de classe e educação.
 Um só deve ser o caráter do homem, e uma só a sua conduta moral.
Falar isso aqui no Brasil parece utopia, infelizmente, e daremos um exemplo claro disso: Um senhor que trabalhava na faxina, no aeroporto, achou e devolveu uma mala recheada de dólares. Dinheiro que daria para lhe garantir uma boa aposentadoria e qualidade de vida nunca imaginada. Pronto! Virou manchete nos principais jornais e TVs de todo país. Isso caracteriza uma inversão total de valores. Sem demérito ao gesto do referido senhor, pois devolver o que não nos pertence deveria ser visto por todos como uma obrigação, uma regra, e não como fato extraordinário, motivo de louvor.
É preciso que haja uma mudança na mentalidade do nosso país. É preciso que as pessoas voltem a acreditar nos valores, na honestidade, no dever moral.  A mudança, porém, parece estar ainda muito longe de acontecer. Ensinar esses valores aos jovens vem se tornando cada vez mais difícil, pois exemplos contrários são mostrados a toda hora pelo nosso Congresso Nacional, que espalha o mau exemplo e, pela impunidade, a certeza aterrorizante de que o crime compensa.
 A cada eleição vemos os políticos se digladiarem em verdadeiras batalhas em busca de cargos, vantagens e altos salários no serviço público.  A iniciativa privada que “pagou” a campanha política do candidato cobra, com altos juros, as vantagens prometidas.
 De algum tempo para cá as coisas se degeneraram a tal ponto de que já nem nos assustamos mais, quando são noticiados rombos gigantescos em órgãos públicos. A população já discute hoje qual será o próximo escândalo. Já não nos causa estranheza ver sorrisos hipócritas justificando os prejuízos que afetam a vida de milhares de pessoas que nem sequer têm a noção da gravidade do que acontece. Já não nos assustamos mais com as quantias fabulosas roubadas, ceifando a saúde, a educação, a vida. A corrupção é um verme resistente à moral, aos princípios, à dignidade, à fraternidade, ao respeito e ao amor entre os homens.
Como pode alguém viver em paz depois que desvia milhões de reais da saúde pública que, agora mesmo, agoniza nos leitos do SUS sem recursos? Da educação que nada tem a oferecer e que conta com o suor de professores abnegados, idealistas, heróis de uma guerra desigual? Da segurança que condena crianças inocentes a morrerem vítimas de bala perdida, resultado da guerra civil instalada em nosso País, onde o tráfico de drogas e o crime organizado vêm vencendo e nos tornando reféns de uma polícia despreparada e sem recursos, que também sucumbe à corrupção e de outro lado o crime organizado, os grandes traficantes, que estão infiltrados nos mais altos escalões do governo, em todos os níveis? Esse é o saldo da corrupção cheia de metástases, espalhando morte aos filhos da pátria sem mãe...
É um problema sério e de difícil solução, pois as pessoas mais simples não são educadas a verem os políticos como servidores públicos, pagos com seu suado dinheiro, mas como privilegiados que podem tudo. É preciso que se acabe com essa visão paternalista e que a corrupção seja duramente punida. É importante que, com a arma do voto, alijemos da política todos os que estão nela sem que o ideal de ajuda e progresso do país seja o seu objetivo. O Congresso Nacional é o espelho do povo brasileiro. Se lutássemos mais por educação e cultura, teríamos mais discernimento na hora da escolha dos nossos governantes.

 É muito triste ver o nosso país na situação atual, de paciente sem tratamento. Precisamos levar o nosso país para a “UTI moral”, livrá-lo das mãos de políticos corruptos e fisiologistas. Não devemos considerar utópico esse pensamento, podemos e devemos lutar, ter a consciência de que começa, por cada um de nós, o combate à corrupção. O Brasil somos nós, cidadãos. A boa conduta social e o comportamento correto diante dos fatos, buscando não corromper e não ser corrompido, é que fará do Brasil, um país mais justo e belo. E assim, o sonho de uma nação que abre os braços para os seus filhos, que os acolhe com amor, justiça e igualdade será uma realidade, independente de salvadores da pátria, de políticos e partidos populistas que enganam o povo. O poder é nosso, basta que tenhamos consciência disso!
(Texto a cinco mãos das escritoras Cristiane Vilarinho, Maria Luíza Faria, Nell Morato, Suely Sette e Vólia Loureiro)

quinta-feira, 9 de abril de 2015

QUEM CONTA UM CONTO...CONTA A CINCO MÃOS - INTIMIDADE

INTIMIDADE

São os nossos segredos do corpo e da mente.  Segredos nunca revelados, tão íntimos que o espelho jamais refletiu.É a nossa alma, desnuda, revelada. Aquilo que nos é mais genuíno... São valores, hábitos, segredos, medos, histórias, comportamentos. Uma cornucópia de coisas que compõem nosso ser.Nem sempre conseguimos partilhar a nossa intimidade, nem sempre queremos ou podemos nos dar a conhecer. Vamos nos revelando aos poucos, como a madrugada revela o dia.
Pode-se confundir com privacidade... E, algumas vezes, até com medo de se mostrar ou mostrar o corpo.  Intimidade é o nosso íntimo que não permite invasões, revelamos o que nos convém, seja do corpo ou da mente.Pode ser positiva quando respeita a liberdade individual, mas quando é exagerada corre-se o risco de se tornar invasiva e inconveniente.
Intimidade é o direito legitimo de todo ser humano a estar só, consigo mesmo.No que tange ao amor, às relações a dois, ela é fundamental. Intimidade dividida pelas secretas trocas de afeto, que só entre as paredes da vida são reveladas.O casal entenderá que a intimidade é mais do que sexo,pois, envolve compromissos mútuos com o seu parceiro. Se cada um disser o que realmente sente e precisa, e, sobretudo, agir de forma transparente e clara, o relacionamento íntimo com certeza irá melhorar sobremaneira.

A intimidade entre duas pessoas revela o nível de confiança e de sintonia entre elas. Há casais que vivem uma vida inteira e não se conhecem, pouco sabem um do outro. Os desejos mais íntimos, a vontade de saber, ter ou querer...

A falta de intimidade destrói qualquer relacionamento. Isso porque muitos casais não vivem essa sensação íntima. O que vem a ser uma enorme pena, porque, dentro de um relacionamento, deve haver intimidade e sempre a verdade.
A técnica para melhorar a intimidade é você se permitir e mudar a dinâmica. Você entender que seu relacionamento físico precisa ser importante principalmente para si.

Em outros casos, podemos ter intimidade com pessoas estranhas, sem nenhum pudor, tanto no que se refere ao corpo , quanto a mente.Há outras pessoas que têm tão grande intimidade entre si, que sabem do estado de espírito do outro, bastando para isso um simples olhar. A intimidade gera cumplicidade e é capaz de nos fazer ler o pensamento do outro.Intimidade é o riso partilhado no silêncio de um olhar que diz sem palavras.
Em outro ângulo, falemos da intimidade do toque. A possibilidade de desvendar, explorar, conhecer. Descobrir o que desperta sensações de prazer, de bem estar. Intimidade que conduz  vibrações gratificantes ao corpo e à alma, sem tabus, sem barreiras. Como é difícil para muitos, suster intimidade, se permitir ir além, se desnudar, se expor!  Algumas pessoas não conseguem dar um beijo em público. Nem um beijo fraterno, como se esse ato mais íntimo fosse violar certos valores. E entre quatro paredes, talvez não consigam apreciar sua própria nudez. Outras se revelam sem inibição. A intimidade se cerca de moral e preconceitos. Algumas culturas trancafiam-na a sete chaves. Qualquer manifestação da mesma é considerada quase uma ofensa. Em outras, é tão natural, que tende a chocar a maioria. Mas, o que permitimos a nós mesmos? O que barramos e o que libertamos de nossa intimidade? O que nos faz bem, mas negamos a nós mesmos por tabu ou por medo de nos mostrarmos e sermos mal compreendidos?
Enfim, que cada um de nós tenha a liberdade de se mostrar ou esconder e que a intimidade seja respeitada, vivida e, sobretudo, apreciada, para que a vida tenha sempre encanto e magia.

“A intimidade pessoal demarca uma área privada que exige tolerância e respeito. É um espaço físico,emocional e intelectual que só pertence a mim. Nem tudo precisa ser revelado. Todo mundo deve cultivar um jardim secreto.”
(Texto a cinco mãos pelas escritoras Cristiane Vilarinho, Maria Luíza Faria, Nell Morato, Suely Sette e Vólia Loureiro)


segunda-feira, 30 de março de 2015

QUEM CONTA UM CONTO...CONTA A CINCO MÃOS - ABORTO



ABORTO UMA QUESTÃO DE PRATICIDADE OU DE AMOR?

Um assunto muito sério a questão do aborto... Divide opiniões prós e contras, e cada um dos lados tem as suas razões plausíveis. Como chegar a um denominador comum? Talvez isso não seja possível. Esse assunto chegou ao Castelo Literário, e, por ser polêmico, dividiu opiniões. As princesas resolveram, mais uma vez, reunirem-se no salão secreto para debaterem sobre o assunto. E, dessa vez, a conversa não foi das mais fáceis, porque, entre as próprias princesas, as opiniões divergiram.
A primeira a se manifestar foi a princesa Suely Sette, com o seu jeito maternal foi logo se posicionando dizendo:
- De início, deixo clara minha posição radicalmente contra o aborto. Acho que não temos o direito de destruir o que não sabemos criar... Seja de bebês anencéfalos ou frutos de violências, eles são bebês e não têm culpa da insanidade dos pais...
A princesa Maria Luíza Faria reiterou com a sua maneira tímida e suave de falar:
- A questão do aborto é delicada, mas, concordo com a princesa Suely: Sou contra o aborto. Antes de considerar os valores morais e religiosos, considero o direito de viver. Direito que pertence a todos. Para mim, quem estabelece nosso tempo de vida é Deus, somente Ele.
A princesa Nell Morato resolveu também dar a sua opinião. Com seu jeito direto, sem “papas na língua”, foi logo disparando:
- Pois eu sou a favor do aborto! E vou dizer porque. Esse assunto é bastante polêmico e as pessoas que são contra, lutam fervorosamente, para que não seja legalizado em nosso país.
Os dados estatísticos estão aí para mostrar a quantidade de mulheres                que morrem no ato de um aborto clandestino e são chamadas de criminosas.  Já não temos cadeias para armazenar os assaltantes, estupradores e assassinos, imagine então, se prenderem as mulheres que abortam... Elas são consideradas criminosas porque realizaram um ato contra o próprio corpo? É contraditório e nada civilizado.
Ah, a princesa Suely ficou vermelha e seus lindos olhos azuis faiscaram e falou muito emocionada:
- Atropelar uma vida tão frágil em seu berço mais divino é assassinato!
 Correu aos seus aposentos  e voltou de lá com uma carta na mão. Era uma carta da Madre Tereza de Calcutá, que trata sobre o aborto, pedindo permissão para lê-la.
Emocionada começou lendo em voz alta:
- Eu sinto que o grande destruidor da paz hoje é o aborto, porque é uma guerra contra a criança, uma matança direta de crianças inocentes, assassinadas pela própria mãe. E se nós aceitarmos que uma mãe pode matar até mesmo seu próprio filho, como é nós podemos dizer às outras pessoas para não se matarem? Como é que nós persuadimos uma mulher a não fazer o aborto? Como sempre, nós devemos persuadi-la com amor e nós devemos nos lembrar que amor significa estar disposto a doar-se até que machuque. Jesus deu Sua vida por amor.
A princesa Cristiane Vilarinho, já estava em lágrimas, com seu jeito doce e sensível , obtemperou:
- Primeiramente falar de aborto me deixa triste. Pelo  fato de sempre querer ser mãe, a palavra “aborto” me assusta. Felizmente o povo brasileiro, em sua grande maioria, vem lutando contra essa minoria que tem se manifestado a favor da legalização do aborto. Eu sou terminantemente contra esse ato desprezível, irresponsável e inconsequente. Abortar é ceifar a vida daquele ser que é indesejado, é tirar a vida e a oportunidade de um ser que não tem o direito de se defender. E nenhum de nós tem esse direito.
A princesa Nell retrucou, defendendo a sua posição:
- Vejam bem: Quando eu era adolescente, meus amigos, também adolescentes, já sabiam qual o “medicamento” que deveriam comprar para que a namorada tomasse, caso a menstruação ficasse atrasada. E era ensinado pelo próprio pai, para que o filho não se “metesse” em encrencas.
A princesa Luíza voltou à carga:
- Defendo a política  de maior prevenção  contra a gravidez, principalmente entre adolescentes. É constatado que 60% das gravidezes em adolescentes terminam em aborto. É muito triste. Por  mais aliviada que ela se sinta por não ter que interromper seus planos, culpa ansiedade e depressão, poderão acompanhá-la pelo resto da vida. Acredito que isto ocorra com quase todas as mulheres que praticam o aborto... Porque se trata de tirar a vida de outro ser que nem oportunidade de lutar contra tem.
A princesa Nell  insistiu em sua posição:
- Não mudou muito, temos vários métodos contraceptivos e o mais importante deles, a camisinha e, mesmo assim, jovens engravidam. Não é só a gravidez, mas o risco de sérias doenças, HPV, Aids, entre outras.
A princesa Maria Luíza insistiu:
- Para mim, a vida é um milagre divino. Cabe unicamente a Deus, concedê-la e tomá-la.
E a princesa Cristiane Vilarinho corroborou:
- Há poucos meses , um noticiário de TV, mostrou uma jovem de 24 anos que morreu ao praticar um aborto.  Vocês sabem quanto custa um aborto? Hum... Posso garantir que não é nada barato. Então não seria mais sensato se prevenir ao invés de interromper o nascimento de um ser indefeso com a própria vida? Afinal, qualquer pessoa de maior idade pode ter acesso aos postos de saúde e adquirir gratuitamente os anticoncepcionais.
A princesa Suely disse enfaticamente, sacudindo as folhas de papel da carta:
- A ideia do aborto é inconcebível , e, para mim, indiscutível... Fere e muito também a mãe que nunca se conforma e vive atormentada... E falou: “ Deixo-vos essa carta, sem mais nada dizer...”
A princesa Nell insistiu em seu posicionamento:
- Eu sou a favor de que o aborto seja legalizado no país, para evitar a morte de milhares de mulheres jovens. Nada vai mudar com relação ao uso de contraceptivos, vão continuar abortando de forma clandestina. Nem a Aids, que há alguns anos assustou o mundo inteiro foi suficiente para fazer, com que casais priorizassem o uso da camisinha, evitando assim, também uma gravidez indesejada.
- E digo mais! O Brasil é um país laico na teoria, de influência cristã católica e a maioria substituiu as Leis, o Código Civil, penal, constituição pela Bíblia.  Isto é, igual aos países islâmicos, que abandonam as leis jurídicas para aplicar a Sharia, ou seja, o Alcorão é o parâmetro para as leis.
Estando calada e acompanhando com atenção toda celeuma, a princesa Vólia Loureiro resolveu, por fim, dar a sua opinião:
- Sou radicalmente contra o aborto, em qualquer situação. Mesmo que a mulher tenha sido violentada, mesmo que o bebê seja um anencéfalo. O único motivo pelo qual seria justificável seria para poupar a vida da mãe.
Sem querer levar o assunto para o campo da religião, observando a questão pelo lado científico e jurídico, tenho os seguintes argumentos que reforçam a minha opinião:
·         O primeiro direito constitucional do ser humano é o direito à vida. E a vida começa na concepção. Qualquer livro de Embriologia confirma isso. Há pessoas que defendem que o feto só deva ser considerado um indivíduo quando passa a demonstrar reações às sensações, isto é, quando o Sistema Nervoso se forma e o feto passa a responder aos estímulos. Esse modo de pensar é errado, pois já se comprova que , mesmo em embriões muito jovens, com poucos dias de vida, no instante do abortamento pela sonda que despedaça o seu corpinho, o embrião procura se defender, tentando fugir e se desviar da sonda, demonstrando assim o seu desejo de viver e o instinto de conservação. Como não respeitar essa vida? A vida deve ser protegida desde o seu início até o seu fim. Esse é um direito constitucional.
·         Outra razão utilizada para os defensores do aborto é o direito da mulher sobre o seu próprio corpo. Realmente a mulher tem direito sobre seu corpo. Tem o direito de ir e vir, direito sobre quando deve ou não fazer sexo e com quem fazer, porém, a vida que se gera em seu ventre não lhe pertence. Ali se encontra um indivíduo que tem as suas características próprias, os seus direitos  devem ser protegidos. Se a mãe tiver direito sobre a vida de seus filhos, poderia então, lhe ser permitido cometer o infanticídio quando esta não mais desejasse cuidar deles? Ora, que diferença existe entre uma criança já parida e outra que se prepara para nascer?
·         Defendem ainda os que são a favor da liberação do aborto, que muitas mulheres morrem vítima de abortos clandestinos, e que seria mais humano se permitir que a prática do aborto fosse realizada nos hospitais, com segurança e higiene. Dizem que o aborto é uma questão de saúde pública.
Então, eu indago: Um erro justifica outro? Será que é matando crianças que se vai resolver o problema de saúde pública? E com o nosso sistema de saúde atual, como podemos acreditar que as mulheres, que, geralmente, são pobres, teriam o atendimento necessário? Não é essa a realidade da saúde do nosso país...
Acredito que o aborto não é uma questão de saúde pública, mas uma questão de educação.
Uma boa educação escolar e doméstica, um serviço social fundamentado na promoção do indivíduo e não o paternalismo barato com que se busca calar a voz do povo com esmolas. Um serviço de saúde mais presente na comunidade, como ginecologistas, sexólogos, psicólogos que pudessem orientar os jovens e também os adultos  na questão da gravidez e das DSTs. Seriam ações corretas a serem tomadas.

Com relação à criminalização do aborto haveria de se punir não a jovem mãe, desorientada, que, muitas vezes, é vítima da falta de educação, miséria, desinformação e que, sem pensar, comete tal crime, mas que respondessem pelo crime o farmacêutico que forneceu o medicamento abortivo, o profissional de saúde que praticou o crime.
Por que se utilizar da maneira mais simples e cruel, através do descarte de um ser humano indefeso? Por que tentar resolver um mal com outro ainda maior? Esta é a minha posição, disse a Princesa Vólia.

Um silêncio se seguiu, e a noite já caía, quando as princesas, pensativas, ficaram a refletir sobre tudo o que se havia falado.

E você? Poderia nos dar a sua opinião sobre esse assunto tão polêmico? É contra ou a favor do aborto?

(Texto a cinco mãos das escritoras Cristiane Vilarinho, Maria Luíza Faria, Nell Morato, Suely Sette e Vólia Loureiro)




sexta-feira, 20 de março de 2015

QUEM CONTA UM CONTO...CONTA A CINCO MÃOS - HOMOSSEXUALIDADE



 HOMOSSEXUALIDADE

 Essa semana, na estreia da nova novela do horário nobre de conhecida emissora de TV, um fato  gerou discussões e chamou a atenção de muitas pessoas:  Um beijo entre duas mulheres. A novela mostra o relacionamento homo afetivo de duas mulheres já idosas, papéis exercidos pelas grandes atrizes: Fernanda Montenegro e Nathalia Timberg.
 Hoje, queremos falar sobre a homossexualidade.
Homossexualidade é a condição em que a orientação sexual da pessoa é voltada a sentir afeto e desejo sexual por pessoas do mesmo sexo. Esta existe desde que o homem está sobre a face da Terra. É uma variante natural da sexualidade, pois está presente não apenas no gênero humano, mas também na grande maioria das espécies animais, como já comprova a Ciência.
Com relação a ser considerada normal isso já é outra coisa, a palavra normal, vem de norma, regra. As normas e regras são criadas pela sociedade, pela cultura de um povo. A prática homossexual era considerada normal na Antiguidade, no Japão dos samurais, na Índia, na Grécia, nas civilizações indígenas brasileiras e muitas outras, até mesmo na atualidade, entendem o homossexual e o transexual como indivíduos normais.
A visão de pecado da prática homossexual é de origem judaica e se estendeu pelo mundo com a cultura judaico-cristã. A homossexualidade passou a ser vista como pecado e punida com a castração e até mesmo com a morte. Surge daí o preconceito contra essa forma de manifestação da sexualidade.
Leis, religiões, culturas, pré-determinam que deveria ser “normal” apenas o relacionamento entre um homem e uma mulher... Porém, se somos donos, possuidores de nossos corpos, de nossa liberdade e é um instinto biológico, porque a atração sexual é um ato biológico, não adianta querer ou não querer. Não podemos escolher por quem vamos nos apaixonar, nos sentir atraídos. É preciso então viver e deixar viver.
Até onde vai o nosso preconceito? O Brasil, infelizmente, encontra-se no primeiro lugar no ranking da homofobia. Segundo pesquisas, o Brasil ocupa o vergonhoso 1º lugar no ranking mundial da violência contra homossexuais, sendo seis vezes mais violento que o 2º e 3º lugares, México e Estados Unidos , respectivamente. (Homofobia e Direitos Humanos: www.ggb.org.br) Em nosso país, um gay, uma lésbica ou um transexual é barbaramente assassinado a cada dois dias, vítimas da homofobia. Perguntamos: Por que o comportamento homossexual incomoda tanto àqueles que se dizem heterossexuais? Diz a Psicologia que aquilo que nos incomoda no outro, trazemos dentro de nós, de forma secreta e até mesmo inconsciente.
A homofobia leva à criação de mitos injustificáveis, tais como: Todo homossexual é promíscuo, tarado, pedófilo, destruidor de lares, etc. Obviamente que todos esses mitos são injustificáveis. Não é a orientação sexual de um indivíduo que lhe define o caráter. Da mesma forma que existe o Heterossexual honesto e o viciado, assim acontece com o homossexual.
Por muito tempo a homossexualidade foi vista como doença pela Ciência e terríveis tratamentos eram impostos, com o objetivo de se encontrar a “cura gay”: Choques elétricos, injeções com doses cavalares de hormônios, hipnose, lobotomia, banhos gelados. E tudo sem resultado...
O preconceito contra o homossexual é tão grande, que começa por ele mesmo, pela não aceitação da sua condição. O índice de suicídio entre os homossexuais é muito alto.
O beijo é uma das mais queridas manifestações de amor e afeto entre pessoas. Mas, por que é visto como algo pecaminoso, se esse beijo for trocado por pessoas de mesmo sexo, que mantêm uma relação homo afetiva, tal como ocorreu na cena da novela, diante de milhares de telespectadores? Se for uma demonstração de carinho, por que deve ser escondido?
Declarar-se sem preconceitos contra a homossexualidade é muito fácil. Pregar indignação perante as atitudes alheias preconceituosas também é bonito. Mas, quando a realidade se apresenta dentro da sua casa? Como aceitar o fato quando ocorre dentro do seu lar, sua família, um irmão, irmã, filho, filha, pai, mãe, sobrinho, cônjuge? Que postura teríamos? Respeitar fora de casa é uma coisa, ter de compreender, conviver com o fato em nosso ninho, mudaria a nossa atitude?
A TV, o cinema, os livros, fazem parecer tudo muito fácil, bonito e glamoroso, mas a realidade não se mostra da mesma maneira. Há sempre um choque, um conflito, há uma rejeição natural do ser humano àquilo que não nos parece ser normal. E isso é ainda por conta do preconceito que temos arraigado em nós. Há uma dificuldade em acolher o diferente.
A angústia maior, para muitas famílias, talvez esteja no fato de saber que a sociedade, por mais que pregue o contrário, é também hipócrita e discrimina sem piedade. Isso é doloroso e machuca muito.
Se temos alguém querido que se revele homossexual: um filho, filha, pai, mãe, irmão, etc. Não  devemos e nem podemos desprezá-lo. Ele continua sendo nosso ente querido, nada muda. Muitos pais expulsam seus filhos de casa por conta do preconceito. Muitos filhos somem da vida de seus pais porque não são aceitos pela sua sexualidade. Onde fica o amor em tudo isso? Como podemos desprezar um ente querido por conta de algo tão particular em sua vida? Muitos pais tentam “curar” os seus filhos por vergonha, por medo do sofrimento que terão de enfrentar na sociedade, mas isso não leva a nenhum resultado, apenas faz aumentar o sofrimento daquele que já sofre por sentir-se diferente. O que podemos e devemos fazer é aceitar o homossexual, e nos aceitar se somos homossexuais. E, na condição de pais, orientar o jovem, seja ele homo ou heterossexual, a ter respeito e responsabilidade diante da prática do sexo.
Se orientação sexual fosse opção, ninguém optaria por ter um gosto que o expusesse ao preconceito social. Para muitos homossexuais a aceitação dessa realidade é extremamente sofrida, conflituosa e negada por muito tempo. Ninguém tem o direito de julgar o outro por conta da sua orientação sexual.  Ninguém deixa de ser pior, ou melhor, por conta da sua orientação sexual. Aliás, classificar as pessoas por conta das suas preferências sexuais já é um preconceito. Termos como heterossexual, homossexual, bissexual, transexual, gay, lésbica, travesti, não deveriam ser aceitos para marcar as pessoas. Pessoas são pessoas, nada mais, e a orientação sexual é fato que só diz respeito a cada um.
Respeitar as diferenças é obrigação moral de cada um. Todo tipo de preconceito é abominável, quem dera que o mundinho preconceituoso de alguns ignorantes pudesse se abrir à luz da verdade única do amor universal...
O coração não conhece fronteiras, nem distâncias. O amor ignora o gênero sexual, é apenas amor. Que importa se esse amor nasce entre pessoas de sexo diferente, ou do mesmo sexo! Será que se for entre pessoas do mesmo sexo será menos importante? Menos amor? Menos gratificante? O afeto, o carinho, a cumplicidade da alma, do coração é vergonhoso, pecaminoso, só porque foge aos padrões da dita “normalidade”? Dois seres humanos são piores ou melhores apenas por escolherem como objeto de seu afeto uma pessoa do mesmo sexo? Isso não muda nada.  Isso não faz ninguém ser menor, porque o amor engrandece as pessoas. O amor verdadeiro faz o ser crescer espiritualmente. Não importa a forma como se apresente.
Como é possível que um beijo, que é sinal de ternura, só pelo fato de ter sido dado por duas mulheres, na cena da novela, ter chocado mais, algumas pessoas, do que a cena em que um filho mata o próprio pai, movido pela ganância do dinheiro e do poder? Que mundo é esse em que vivemos?
Relacionamento amoroso entre pessoas do mesmo sexo. Não se trata apenas de sensualidade, é mais profundo, falamos de amor. Duas mulheres apaixonadas ou dois homens apaixonados um pelo outro... É amor... É romântico, envolve o corpo e a alma.
É importante que aprendamos a desenvolver em nós o sentimento de alteridade e que compreendamos que, cada pessoa tem o direito de assumir a sua sexualidade de forma livre, que o respeito às diferenças deve ser considerado e que o importante na vida é que as pessoas tenham o pleno direito de amar e serem amados, não importa a forma, a cor, o jeito desse amor.
(Texto a cinco mãos pelas escritoras: Cristiane Vilarinho, Maria Luíza Faria, Nell Morato, Suely Sette e Vólia Loureiro)